quinta-feira, abril 10, 2014

Os últimos suspiros do rádio AM em Cuiabá!!!

No dia 08 de setembro de 1980, eu, Sebastião Siqueira, dei os meus primeiros passos profissionais na Rádio Cultura de Cuiabá - RCC. Antes, já tinha passado pelas Rádios A Voz do Oeste e também Difusora Bom Jesus de Cuiabá. 

Na RVO foi onde começou a paixão pelo Rádio, ainda garotinho, com 13 anos. Bem, mas a intenção, com esta postagem, não é contar a vida profissional deste radialista e jornalista, mas lamentar. Lamentar do fundo d'alma o que aconteceu com as três emissoras citadas.

A RVO, que lançou Ivo de Almeida, o narrador esportivo mais jovem do Brasil, na época, com 14 anos - foi notícia na Rádio Globo. A RVO de Alves de Oliveira, Nhô Boró, Jacques Brunini e tanto outros feras do rádio - da época. RVO que fazia as suas transmissões de radionovela, a primeira emissora a ter auditório próprio - na Rua Campo Grande, com duzentas poltronas - para programas que eram assistidos (isso mesmo, assistidos), por pessoas que amavam o rádio. 


O tempo passou e diante de tantos desatinos, motivados pela ganancia financeira, a RVO chegou a sua "morte". Ela está fora do ar há cerca de três anos, depois de passar por um arrendamento que durou quase duas décadas para uma igreja Evangélica.


A difusora, está no ar, mas com conteúdo direcionada a igreja Católica. Ela não tem uma programação voltada à população de maneira geral. Mas tá ai. Sem profissionais da área e com as benesses do sindicato da classe, que nada faz para devolver o rádio para exercer o seu papel, que é o de informar, orientar, entreter e ajudar na formação de opiniões. 


Vale lembrar aos amigos que rádio é uma concessão. Como tal, tem que obedecer as normas que regem a sua destinação no contesto social, qual seja: informar, educar, orientar, divulgar ações de cunho social e de interesse de TODA coletividade. Ai eu pergunto, "rádio arrendado para um único fim, o de arrebanhar fiéis, é de interesse coletivo"?

Segundo um dossiê preparado pelo Intervozes, - que é o Coletivo Brasil de Comunicação Social, a partir de denúncias produzidas por diversas entidades da sociedade civil, este tipo de “negócio” constitui um uso indevido e abusivo das concessões públicas de radiodifusão. “O arrendamento parcial ou total contraria totalmente o espírito da lei”, dispara o documento. 

A afirmação baseia-se no fato das emissoras estarem tomando para si uma prerrogativa do Estado de conceder a outorga, ou seja, definir quem pode utilizar um canal de TV ou rádio, para distribuir uma programação. Com o arrendamento, são os "proprietário" das emissoras – e não a União – que decidem quais empresas ou organizações podem acessar parte do tempo do canal, cuja exploração foi dada a eles. Volto a dizer, concessionárias, somente! 

Outro problema grave é o fato de uma concessionária fazer uso de um bem público, o espectro eletromagnético, para obter lucros deixando de prover o serviço objeto da concessão, no caso, a programação e divulgação de assuntos locais e, volto a dizer, de interesse GERAL da população. 


O Sindicato dos Radialista Profissionais do Estado de Mato Grosso nunca se manifestou quanto ao que ocorre em nossas emissoras. E olha que tem muitas em nosso estado em igual situação que a Cultura. Vale ressaltar que a situação da Difusora é diferente. A concessão é da igreja católica, representada pela Curia Metropolitana de Cuiabá.

Eu tinha prometido à amigos e alguns familiares que não ia escrever nada sobre a  RCC. Cumpri a promessa no dia do aniversário da rádio, em 18 de março, e vou cumprir não escrevendo nada nesta matéria. Vou me ater a reproduzir um texto que fiz no aniversário da emissora do ano de 2012. Lembre-se foi escrito em 2012 e não foi atualizado. Isto quer dizer que fica por sua conta reverter isso para os dias atuais...

O título do artigo foi este RÁDIO CULTURA COMPLETA 52.......!!!

No dia 18 de março de 1960 entrava em operação, de forma efetiva, a Rádio Cultura de Cuiabá, RCC. Porém, existem documentos que comprovam que a emissora já funcionava bem antes dessa data. Isso se dava de forma esporádica, de acordo com os interesses de seus proprietários de então.
Ela era colocada no ar em períodos eleitorais e de outros eventos realizados na cidade. Depois deles, tudo era desmontado e guardado, à espera do próximo. 
Cheguei a ler uma ata de reunião de seus primeiros sócios, ocorrida no início da década de 1950. Lembro que que nesse período, em 50, ela funcionava esporadicamente, e não era uma remissora regulamentada - isso só se deu em 1960.
Outro fato que me faz garantir que ela tem mais tempo de operação - mesmo não sendo de forma oficial – foi uma conversa que tive com Eugênio de Carvalho, radialista e jornalista, já falecido, que me assegurou que antes de 50 a RCC já tinha períodos de transmissão.
Bom, mas o certo é que a direção atual da Rádio Cultura considera o período de atividade a partir de 18 de março de 1950.
Portanto, hoje a rádio, que tinha como mote “toca tudo, toca você”, está completando 52 anos.
Deixando essa questão da data para um outro artigo, vamos falar da importância que a RCC teve na radiofonia e na imprensa em geral do estado de Mato Grosso. Também relembrar alguns grandes profissionais que lá trabalharam.
Não vou colocá-los em ordem, vou deixar a memória navegar nas águas da recordação.
A Cultura já foi a mais cuiabana de todas as mídias.
Quem acompanhou, até o final de novembro de 2011, a programação da emissora sabe que ela tinha em sua grade programas voltada para a cuiabania.
O “Tribuna do Ouvinte”, comandado por William Gomes, autor do Dicionário Cuiabanês” , era exemplo maior desse compromisso que a rádio tinha com a nossa gente e as suas tradições.
Como profundo conhecedor das raízes cuiabanas, William fazia o programa, das 8 às 11 horas da manhã, sempre direcionando temas para a cultura cuiabana.
Outro exemplo era o Cuiabanália. Um programa semanal, nas manhãs de sábado, voltado para a divulgação da arte local, em toda sua forma.
O que não dizer do Crepúsculo Sertanejo, com a sua impagável “Paradinha do Beco da Lama”, com o Mortadela.
A cultura tinha ainda, só para citar como exemplo, o programa de rádio com mais tempo no ar do estado e talvez um dos mais antigos do Brasil, o “Cultura é a Dona da Noite”, apresentado pelo meu camarada Jorcy José.
Vou puxando pela memória e me recordo do “Ronda Policial”, com Luiz Mário; o “Alvorada Sertaneja”, que começou com Compadre Crispim, este falecido há alguns anos, e depois foi comandado pelo cuiabanissimo Lucas Neto.
E o programa de rádio de maior audiência do estado de Mato Grosso, o tradicionalíssimo “Grande Jornal Falado Cultura”, com 35 anos no ar, das 07 às 08 horas.
Além desses programas, muitos outros ajudaram a construir a história da RCC.
No que se refere a pessoas, não podemos esquecer de grandes nomes, como Fauser Santos, Maurício de Oliveira, Gonçalo de Lima, Ademar Paulino, Jota Márcio, Márcio de Arruda, Eduardo Saraiva, Paulo Araújo, Jota Gonçalves, Pereira Neto, Pedrão, Jair Molina, Eugênio de Carvalho, Silvio Berto, Amauri Destro, Elbson Rodrigues de Moraes,... Grandes nomes, mas infelizmente já falecidos.
Temos que lembrar de outras figuras importantes para o rádio, que passaram pela Cultura de Cuiabá e que graças a Deus ainda estão entre nós:Roberto França, Dorileo Leal, Cidinha Aguiar, Valdelino Ribeiro, Olney Guimarâes, Kleber Lima,  Walter Rabello, Edvaldo Ribeiro, Augusto Roberto, Gê Fernandes, Lúcio Sorge, Elias Neto, Cidinha Aguiar, Luiz Carlos B.A., Jaques Khalil, Davi César, Solimar Maria, Marlei Santos, Eliane Silva, Marlene Mutchaw enfim, são tantas pessoas,...grandes talentos. Para relacionar o nome de todas precisaria de várias paginas.
Dos 52 anos oficiais da Rádio Cultura, eu, Sebastião Siqueira, tenho o orgulho de dizer que participei ativamente de 31 deles.
Alguns profissionais ainda estão por lá, tocando o barco. Boa sorte à todos e também a direção da rádio, Bia e Klécius.
Parabéns Rádio Cultura de Cuiabá, que no futuro possa retornar às suas raízes.    
Ainda estão firmes e com suas programações, fora do campo religioso, as rádios CBN Cuiabá e Industrial de VG. 
CLICK NO LINK PARA OUVIR HÉLIO RIBEIRO: "EU SOU O RÁDIO"


2 comentários:

Ao verificar o que você dispõe no testo chego a tristeza de saber que os profissionais do rádio estão fadados ao ostracismo, principalmente com a demanda que as igrejas fazem ao alugar toda a programação de determinadas emissora, isso leva a crer que tal modelo serve somente de troca politica aos donos da concessão para pegar a mesma do governo e repassar a programação por grandes somas sem que a população tire proveito cultural e educacional da terra e do país como um todo!

Sebastião Siqueira, um belo texto,mascomo digo, a vida continua, em 8 anos dedicado ao rádio, nunca esperei nada, por que , o rádi me deixou triste, temos uma legislação que narrador esportivo é profissão, mas infelizmente isso não e reconhecido, mas fazer o que, eu fiz minha parte no rádio de Mato Grosso,talvez por motivos de pura sacanagem com os grandes profinais, ou mesmo grupinhos internos isso prejudicou o andamento do rádio cuiabano... a esperança e´a ultima que morre...

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