sábado, setembro 24, 2016

Diagnóstico do Procurador Mauro * EDUARDO MAHON


Tive o cuidado de visitar a fanpage do Procurador Mauro. Afinal, quando um candidato tem cerca de 25% de intenção de voto, é preciso ver se há consistência. Começo pela postagem de 23/jul. onde ele anuncia que as convenções partidárias o indicaram candidato. Em seguida, divulga um vídeo de lambadão para comemorar.

No dia 02/ago., posta o protocolo da chapa junto à 55a Zona Eleitoral. Seguem-se várias postagens sobre “o poder da renovação”. Começam as fotos de campanha, a sucessão de entrevistas, sempre com o bordão “é possível mudar”. No dia 27/ago., a fanpage chega a 10 mil curtidas. Em 02/set., a página começa a divulgar a agenda do candidato. Vários debates contam com a cobertura fotográfica. Não há, da data da indicação até hoje, nenhuma única proposta concreta à população cuiabana.

Não satisfeito, consultei a página do Procurador Mauro no endereço eletrônicohttp://www.psol50.org.br/blog/tag/procurador-mauro. De cara, vi o anúncio de que ele está em primeiro lugar nas pesquisas, muito embora o candidato declare que não acredite em nenhuma delas. Ao lado da foto do Procurador Mauro, as chamadas “Fora Temer” e as “Diretrizes para as Alianças”.

Nesse último item, lê-se a linha do PSOL pelo qual é possível concluir que não farão nenhuma aliança com PSDB, DEM, PMDB, PR, PRB, PTB, PSD, PPS, PSC, SD e PP, mas que podem pensar em se unir num eventual segundo turno com PV, PCdoB, PDT, PSB, PT e REDE. No entanto, ainda não havia encontrado nenhuma única proposta para governar Cuiabá.

Continuei a minha busca. Achei a ata registrada da candidatura do Procurador Mauro. Citam um plano de governo num tal de “Portal Vermelho”. Chamam-se, na ata, de “camaradas”. Os presentes denominam o impeachment de “golpe” num projeto do “impostor Michel Temer”. Na reunião, o representante do MST, Antonio Carneiro, defendeu a importância da unidade “das esquerdas” e colocou o Movimento Sem Terra à disposição da “batalha eleitoral”.

Mas não disse exatamente o que o MST faria na campanha e nem como ele se relacionaria com o futuro prefeito. Finalmente, quanto ao plano de governo, da reunião colheu-se apenas um direcionamento que a construção seria coletiva. Nada mais. Mas não me dei por vencido. Pesquisei mais e achei as diretrizes 2013-2016 em 8 páginas. Nele, enfim, consegui divisar propostas concretas: 1) construção de um novo hospital com 500 leitos; 2) revisão das concessões públicas; 3) reestatização da CAB.

Depois de muito procurar, pedi socorro a um amigo. Ele me mandou o Plano de Governo 2016 do PSOL. Em resumo das 10 páginas, de concreto mesmo podemos apontar: 1) criação da Guarda Municipal; 2) aumento dos impostos para “os mais ricos”; 3) comitês de saúde por bairros (já não citam a construção de hospitais); 4) municipalização de rede de transporte rumo à tarifa zero.

O Procurador Mauro não tem a menor ideia do que está falando. A Guarda Municipal demanda o empenho de 30 milhões de reais, a isenção na tarifa de ônibus com a municipalização do transporte onera os cofres públicos em 300 milhões de reais. O Hospital São Benedito tem 126 leitos custa 10 milhões aos cofres públicos por mês. O Procurador Mauro imagina implantar um hospital novo com um custo de 40 milhões de reais, afora o investimento na construção com o dinheiro exclusivo dos contribuintes, já que se recusaria em falar com o “golpista e impostor Michel Temer” para pedir recursos federais.

Noutras palavras, os 25% que tencionam votar no Procurador Mauro do PSOL estão assumindo o risco de terem a maior crise administrativa, financeira, política exatamente quando Cuiabá faz 300 anos. Eu não mereço isso. Você que está lendo esse artigo também não merece.

Agora, imaginem todas as “propostas” do Procurador Mauro em andamento, ao mesmo tempo. Teríamos circulando em Cuiabá ônibus públicos sem pagar rigorosamente nada. Nem estudantes, nem desempregados, nem ninguém. O serviço de água e esgoto também passariam às mãos do poder público, voltando o conhecido caos da ineficiência e da falta de recursos para investimento na manutenção, modernização e expansão da rede. Pensem como seria com o MST participando ativamente.

No sítio virtual do PSOL, há várias resoluções que defendem invasões, desapropriações, ocupações, greves, fechamento de estradas e, claro, como não poderia deixar de ser, o fim do “agronegócio capitalista”.

Falando francamente, alguém acredita que o representante do PSOL consegue administrar Cuiabá por mais de 6 meses? É claro que não. Ainda assim, há gente louca o suficiente para votar num projeto tão obtuso quanto megalomaníaco como o do Procurador Mauro. O quadro clínico é grave. Eis o nosso diagnóstico: melhor internar do que eleger.



Eduardo Mahon é advogado.

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