quinta-feira, setembro 08, 2016

Por que as mulheres estão abrindo mão do anticoncepcional?


Antes símbolo da independência feminina, o anticoncepcional agora é visto como vilão por muitas mulheres, que se unem em fóruns e grupos de internet para discutir métodos contraceptivos sem hormônios. 

A pílula anticoncepcional surgiu há mais de 50 anos, idealizada pela feminista Margaret Sanger e a milionária Katherine McCormick, que buscavam uma maneira fácil, eficiente e barata de evitar gravidez. Teve de burlar barreiras burocráticas nos Estados Unidos e Alemanha para ser aprovada e foi lançada como um medicamento para aliviar os sintomas da menstruação.

Eram os anos 60 e a chegada do medicamento revolucionou a vida de mulheres e casais. O sexo deixou de ser burocrático e reprodutor e passou a ter uso recreativo, se é que você me entende. O auge da pílula ocorreu em Woodstock, com o movimento hippie e o avanço do feminismo. No entanto, começaram a ficar claros os efeitos colaterais, como mal-estar e ganho de peso.

Os estudos avançaram e as pílulas passaram a ter menos hormônios e, consequentemente, menos efeitos colaterais. No entanto, pipocam nas redes relatos de mulheres que perderam a libido, engordaram e, na pior da hipóteses, tiveram trombose. 

“Em qualquer método contraceptivo sempre existem os prós e contras. Com as pílulas anticoncepcionais não é diferente. Como são compostas de dois hormônios femininos (o estrógeno e progesterona), em mulheres os efeitos colaterais são muito importantes”, explica o doutor Elvio Floresti Junior, ginecologista e obstetra formado pela Escola Paulista de Medicina. 

“No Brasil atual, não temos trabalhos que comprovem cientificamente que a pílula venha tendo sua procura diminuída. O que temos, de fato, é um conhecimento maior de sua ação farmacológica, seus efeitos, suas indicações e contraindicações e uma vasta  oferta de outros métodos anticoncepcionais com diversas vias de administração, composição e dosagens hormonais”, analisa a médica ginecologista Celina de Paula Azevedo Sollero. “Sabe-se, porém, que o risco de desenvolver um acidente tromboembólico com a associação do etinilestradiol e levonorgestrel é duas vezes maior do que o risco das não usuárias”.
Segundo o dr. Floresti Junior, existem exames que podem ajudar a identificar os riscos de uma mulher apresentar trombose. “Primeiro de tudo, é preciso fazer uma avaliação pessoal da saúde da mulher identificando a presença ou não de fatores de riscos tais como hipertensão arterial, tabagismo ou etilismo, doenças pré-existentes ou qualquer outro fator que possa contra indicar o uso do anticoncepcional hormonal”, explica.
Essa avaliação, de acordo com Floresti Junior, pode ser feita por exames de sangue, além de uma avaliação para analisar o risco de trombofilias, ou seja, doenças troboembólicas. “Pode-se pedir um coagulograma completo e outros exames, tais como pesquisa de anticoagulante lúpico, anticorpos antifosfolípides, ou seja, uma avaliação completa dos fatores de coagulação para avaliar se a mulher é portadora de alguma trombofilia hereditária ou adquirida e que possa contra indicar o uso do anticoncepcional hormonal”, afirma.


A dra. Celina concorda. “Durante a consulta médica que antecede o uso de um anticoncepcional qualquer, devem ser pesquisados antecedentes pessoais e familiares que justifiquem a solicitação de tais exames para identificação de risco para fatores trombogênicos. A ausência desses fatores, no entanto, nunca nos darão a certeza absoluta de que não ocorrerão acidentes vasculares”, explica.

As opções para quem deseja fugir da pílula como método contraceptivo são o DIU, diafragma e preservativo – este último, vale lembrar, previne ainda doenças sexualmente transmissíveis. “É sempre necessário uma boa avaliação entre o médico e paciente para verificar qual o melhor contraceptivo indicado, sempre levando em consideração os riscos, efeitos colaterais e aceitação da mulher”, pondera o médico.
Para quem não deseja (ou não pode) abrir mão da pílula, o ginecologista aconselha: “Quanto menor a dosagem do etinilestradiol (estrógeno), menor a ocorrência de tromboses. Os contraceptivos hormonais apenas com progesterona não alteram o sistema de coagulação e podem ser uma boa opção para as mulheres que não podem usar os anticoncepcionais combinados”, explica. 

“Existem as pílulas apenas com desogestrel, usados de forma contínua assim como o anticoncepcional trimestral (medroxiprogesterona), mas esse tem o inconveniente de aumentar a oleosidade facial, consequentemente aumenta a incidência de acne e aumento de peso em uma considerável porcentagem de mulheres”, completa.

O lema “seu corpo, suas regras” também se aplica à decisão de tomar ou não pílula. Ter uma boa conversa com seu médico e não se basear apenas em opiniões veiculadas nas redes é importante e fundamental para não colocar sua saúde em risco.

Fonte: Yahoo Vida e Estilo


1 comentários:

O problema é maior com as pílulas ou com os outros anticoncepcionais também? Estou pensando em mudar de pílula para um injetável mas queria saber melhor sobre eles, benefícios e riscos. Tentei saber na bula deste site http://cyclofemina.com.br/ mas gostaria de saber mais sobre esse medicamento. Tem algum post sobre?

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