sexta-feira, março 10, 2017

Ainda a violência contra mulher *Juacy da Silva



Diferente do que o senso comum pode imaginar, o Brasil tem sido considerado um dos países mais violentos do mundo, muito mais violento do que países e regiões  em Guerras, conflitos armados ou da presença  de grupos rebeldes e terroristas.

Os índices de tentativas de assassinatos, de estupros, de agressões físicas e de assassinatos vem aumentando de forma acentuada a cada ano em nosso pais, apesar das manifestações  e discursos de nossas autoridades e governantes.  Os níveis de insegurança e de violência tem aumentado em todas as regiões e porte das cidades, dela não  escapando qualquer segmento social, pobres, ricos, remediados e classe média tem presenciado ou sofrido com esta onda de violência que não nos dá trégua.

Com a falência do Estado , vale dizer com a falência dos Governos federal, estaduais e municipais, o sucateamento dos serviços públicos é  uma realidade concreta  e a tendência é que esta situação se agrave ainda mais diante das propostas de reajuste orçamentário que vão  congelar gastos e investimentos em todos os setores por décadas. O enxugamento das estruturas  públicas que já são deficientes  tendem a piorar a olhos vistos.

Falta recursos financeiros, humanos, técnicos e tecnológicos para implementar políticas públicas demonstram que os poderes públicos estão  perdendo o jogo para a violência, para a criminalidade, inclusive a criminalidade de colarinho branco, ou seja, as quadrilhas de corruptos que se instalaram nas estruturas públicas, associadas com setores econômicos que usam suas funções  e suas posições nos poderes públicos para roubarem os já escassos recursos que uma população sofrida vem pagando na forma de uma carga  tributária escorchante.

Na última quarta feira, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto Data Folha divulgaram  os resultados de uma pesquisa abordando a questão  da violência contra a mulher, que não difere muito em termos de índices de violência contra outros segmentos do país como a violência contra idosos, crianças e adolescentes, contra deficientes, contra  negros e negras, contra a comunidade LGTB  e outros segmentos  da sociedade brasileira.

Esta pesquisa abrange uma amostra representativa de todas as regiões, tamanho de cidades, classes sociais, cor da população, níveis de escolaridade e de renda e seus  resultados são alarmantes. Com certeza se incluíssem outras faixas etárias menores de 16  anos os dados seriam piores ainda, pois segundo a ONU nada menos do que 60 milhões  de meninas com menos de 16  anos são violentadas no mundo, muitas inclusive no Brasil, no trajeto entre a casa e a escola e vice verso.

Voltando ao estudo do DataFolha/Forum Brasileiro de segurança pública, os dados indicam que a cada hora 503 mulheres, com idade acima de 16  anos sofrem algum tipo de agressão física, isto significa a 4,4 milhões de vítimas, das quais mais da metade nada fazem, seja porque não  acreditam nos poderes públicos, seja pela falta de uma delegacia especializada no atendimento `a mulher , seja pelo machismo que domina nossa sociedade. A cultura do estupro, a cultura do machismo e a cultura da discriminação contra a mulher contribuem para a formação da ideia de que a mulher é um ser frágil, que pode ser dominada, não tem Liberdade de decidir sobre seu próprio corpo, seu espaço na sociedade e seu trajeto de vida.

Por incrível que possa parecer, a violência contra a mulher  é preponderante  também  entre as classes mais abastadas e muito presente também  entre  as mulheres negras e pobres. A diferença é que as mulheres com níveis de renda e de instrução  mais elevadas tem vergonha ou medo de denunciarem as agressões.

Outro dado interessante é que 61%  nos casos de violência, os agressores são conhecidos das vítimas e apenas 33%  desses  agressores são desconhecidos.  Causa  espanto saber também que 70% das  mulheres entrevistadas com idade entre 16 e 24 anos afirmaram que já foram assediadas e 45%  já sofreram algum tipo de violência física.

Enfim, são dezenas de milhões de mulheres que estão sofrendo, muitas que continuam caladas e não tem a  coragem ou a quem recorrer para acabar com este suplício diário que é  uma realidade quase invisível para nossos governantes e para a própria sociedade brasileira que parece não desejar abrir seus olhos. É triste viver em um país assim, onde nem a esperança de dias melhores essas vítimas podem cultivar.

Enquanto isso, a lava jato e tantas outras operações  indicam que estamos sendo governados por verdadeiras quadrilhas que pouco diferem do modus operandi do crime organizado que dominam as favelas  e Sistema prisional, onde a violência e a corrupção  continuam dominando.

Corrupção, falência do Estado, sucateamento dos serviços públicos e violência em geral e contra  a mulher em particular andam de mãos dadas em nosso país! Algo precise ser feito com urgência para romper este círculo vicioso, para que o Brasil seja um pais seguro e bom para se viver! Talvez o primeiro passo seja os eleitores darem um cartão  vermelho para políticos e gestores corruptos, incompetentes, insensíveis e demagogos!


Juacy da Silva é professor aposentado da UFMT. Email professor.juacy@yahoo.com.br  - Twitter@profjuacy

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