sexta-feira, março 31, 2017

Falta de estudo dos pais afeta em mortalidade infantil, diz IBGE


Sou do tipo acumulador de artigos, pesquisas e estudos sobre assuntos de interesses coletivos e do relacionamento humano. Revendo em meus "guardados" (arquivos), me deparei com um estudo realizado em 2013 pelo Instituto de Pesquisas Estadão Dados. E ele mostrou que nada mata mais crianças no Brasil do que a falta de estudo dos pais. 

A pesquisa concluiu que nenhuma outra das 232 variáveis testadas influi mais nas mortes na infância do que o baixo nível de escolaridade dos adultos. Nem a falta de dinheiro, de água ou esgoto têm um impacto maior na mortalidade infantil.
Os dados se referem a todos os 5 570 municípios brasileiros, foram coletados durante o Censo 2010 e compilados pelo Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil.
Eles foram usados para criar um modelo explicativo dos indicadores que poderiam causar a mortalidade de crianças de até cinco anos. Por meio de métodos estatísticos, foi possível ver que a maior causa desse tipo de morte está relacionada à taxa de alfabetização da população com mais de 18 anos.
Para cada ponto porcentual retirado da taxa de analfabetismo da população de 18 anos ou mais, a taxa de mortalidade de crianças até cinco anos cai 4,7 pontos.
Na prática, se 1% dos adultos de uma cidade é alfabetizado, em média, mais 47 crianças sobrevivem à primeira infância, a cada 10 mil nascimentos.
Às vezes, a casa não tem saneamento básico, mas se a mãe tem um pouco de educação, consegue que o filho tenha acesso aos programas sociais do governo. O conjunto dos dados revela que quanto maior o analfabetismo, maior a taxa de mortalidade na infância. Cidades como Olho D'água Grande (AL) são exemplos onde esses dois índices são altíssimos - 50 crianças de até cinco anos morrem por ano e 46% dos adultos são analfabetos.
Blumenau (SC) está no outro extremo, com taxa de mortalidade cinco vezes menor e apenas 2% de analfabetismo entre adultos.
O impacto da alfabetização de adultos sobre a mortalidade de crianças é duas vezes maior do que o da pobreza. O segundo fator com maior peso para evitar mortes infantis é aumentar a fatia da renda dos 20% mais pobres.
Cada ponto porcentual a mais na renda faz diminuir 2,8 pontos da taxa de mortalidade na infância.
O terceiro fator estudado que diminui a mortalidade na infância é o acesso a água e esgoto. Mas o impacto é bem menor do que o do analfabetismo e da pobreza.
A cada ponto porcentual a menos de população sem saneamento básico, a mortalidade na infância cai 0,8 ponto. Combinadas, as três variáveis - analfabetismo, pobreza e água/esgoto - explicam 62% da taxa de mortalidade das crianças com até cinco anos no Brasil.
O modelo é consistente também no tempo. Aplicado aos dados do Censo de 2000, seu poder de explicação é ainda maior: 69%.
Sebastião Siqueira
As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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