sábado, abril 01, 2017

Professor de veterinária fala sobre pombos, problema do controle e da saúde pública

Esta matéria foi publicada aqui no Siqueira News no dia 13 de janeiro de 2014. No entanto, o problema continua em Cuiabá, "a proliferação dos pombos". E esta matéria vem nos alertar sobre o perigo que essas aves representa e que não é observado pela população. Vamos relembrar!!!

Os pombos parecem aves inofensivas, mas transmitem diversas doenças para os seres humanos que precisam ficar atentos para não serem contaminados.

Segundo o professor mestre, Kledir Anderson Hofstaetter Spohr, da Faculdade de Veterinária da UNIC Beira Rio, os pombos urbanos são importantes fontes de infecção e transmissão de diversas doenças ao homem, como por exemplo, a Criptococose (Cryptococcus neoformans), Psitacose (Chlamydia psitacci), Salmonelose (Salmonella tyffi) e Histoplasmose (Histoplasma capsulatum).

Kledir explica que a criptococose é a principal doença transmitida pelos pombos, onde contamina as pessoas através da inalação de fungos que estão presentes nas fezes deste animal. Ela ataca o pulmão e pode chegar também ao sistema nervoso central, ocasionando sintomas como dor de cabeça, sonolência e febre. Em alguns casos, pode causar até meningite, especialmente em indivíduos imunossuprimidos (são mais suscetíveis às infecções parasitárias).

Outra doença comum é a histoplasmose, também transmitida pelos fungos das fezes dos pombos. Ela origina uma micose muito profunda que chega a afetar os órgãos internos do ser humano. A salmonelose, outra doença ligada aos pombos, apresenta os sintomas de uma intoxicação alimentar, principalmente pelo consumo de alimentos contaminados indiretamente com fezes dos pombos. Ela causa diarreia e outras dores abdominais.

Para Kledir o problema não está no animal em si, mas na falta de limpeza urbana que torna o ambiente propício a todas essas mazelas. Medidas auxiliares podem colaborar com o combate a estes animais sinantrópicos (é uma espécie animal adaptada à  viver em centros urbanos, em contato com pessoas), como a instalação de telas ou madeiras em vãos de telhados e abrigos e utilização de objetos pontiagudos em locais onde as aves fazem ninhos. Podemos afastar as aves por algum tempo instalando objetos metálicos ou com movimentos, como: (balões, CDS, manequins, bandeirolas) nos locais de pouso, bem como aplicação de produtos de cheiro forte como naftalina e creolina. Em praças, por exemplo, podemos diminuir a concentração destes animais utilizando ainda fogos de artifício e sonorizadores. É essencial ressaltar que é proibida por lei a matança destes animais, seja por arma de fogo ou envenenamento.

Spohr ressalta que na região de Cuiabá, os pombos são animais que há muito tempo convivem com o homem, estando presentes em praças, construções, escolas, faculdades, prédios privados e públicos, bem como demais tipos de construções. “A arquitetura das construções antigas, dos pavilhões e as caixas de ar condicionado dos prédios antigos e novos são excelentes abrigos e locais para confecção dos ninhos. Associado a esta abundância de abrigo ainda é visualizado um grande problema em relação ao destino correto dos resíduos alimentares humanos, os quais servem de alimentos para estas aves. A oferta de alimento é tão grande que é normal vermos aves doentes por grande tempo em praças e ruas, pois mesmo aves debilitadas conseguem alimento de uma forma fácil”, destaca.

Kledir destaca ainda que poucos dados oficiais existem na região sobre a ocorrência de doenças no homem causadas pelo contato com estes pombos, contudo é evidente a necessidade de um controle oficial destes animais através da conscientização da população e adoção de medidas que visem diminuir a proliferação dos mesmos, medidas estas que só terão efeito a médio e longo prazo (meses a anos).

(Soraya Medeiros/Assessoria)


0 comentários:

Postar um comentário