segunda-feira, junho 12, 2017

Aprender a tocar um instrumento musical pode evitar prejuízos cognitivos


Aprender a tocar um instrumento, segundo um estudo canadense, afina o cérebro. Pesquisadores do Centro de Ciência Baycrest, em Ontário, descobriram que a prática deixa mais ativas áreas do órgão relativas à audição e ao controle motor. Por isso, poderia ser usada por adultos para manter as habilidades auditivas e evitar declínios cognitivos que comprometem a capacidade motora durante o envelhecimento.

No experimento, 19 jovens adultos, sendo sete mulheres e 12 homens, foram submetidos inicialmente a testes de audição, que constataram normalidade. Nenhum tinha histórico de distúrbios neurológicos ou psiquiátricos. Eles tiveram as ondas cerebrais registradas por aparelhos de ressonância magnética enquanto ouviam sons emitidos por uma tigela de canto tibetano (um pequeno instrumento musical composto por um sino e um pedaço de madeira). Depois de ouvir a gravação, metade dos participantes recebeu a peça para que repetisse o que tinha ouvido. A outra parcela teve que recriar o som por meio de um computador, tocando as teclas que emitissem toques iguais ao do instrumento musical.

A análise mostrou que as áreas do cérebro ligadas à audição e à percepção motora foram mais ativadas no grupo que tentou replicar a pequena canção usando o instrumento. O aumento foi significativamente maior do que o observado nos participantes do grupo controle, que desencadearam sons gravados por um pressionamento de tecla. Observamos maior conectividade entre córtices auditivos e sensório-motor%u201D, comparou o autor do estudo.


Os pesquisadores destacam que os resultados surpreenderam principalmente pelo tempo que a análise foi realizada e pela sua simplicidade. "Nosso estudo demonstrou os efeitos imediatos da experiência de som na percepção usando gravações simples de um modo que não imaginávamos observar em tão pouco tempo após a atividade, apenas horas depois da tarefa ter sido realizada", ressaltou Ross.

Para os investigadores, as constatações dão validade a uma suspeita na área, e os benefícios se estendem a outros instrumentos.

Anteriormente, a mesma equipe de pesquisadores utilizou um treinamento musical para ajudar pacientes com sequelas de acidente vascular cerebral (AVC) a reabilitar o movimento motor nos membros superiores. A intervenção surtiu efeito: os participantes conseguiram recuperar grande parte dos movimentos perdidos graças às atividades realizadas.


As próximas etapas do trabalho envolverão a análise da reabilitação de pacientes mais velhos que sofreram AVC por meio de treinamento musical. Os voluntários serão comparados com pessoas submetidas a sessões de fisioterapia. Há ainda a intenção de, se houver patrocínio, explorar a técnica para outras condições que afetem a função motora, como lesão cerebral traumática.

Correio Braziliense




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