terça-feira, junho 13, 2017

Depressão e redes sociais, tudo a ver * Maria Augusta Ribeiro


Por mais que acredite que o uso das redes sociais não tenha influência em nosso comportamento, a medicina discorda. E o que pensávamos que eram benefícios tecnológicos, começa a impactar na vida de que tem ou é propenso à depressão.
Antes que me diga que as redes sociais não influenciam nosso comportamento, faça a seguinte pergunta: Quantas vezes você acessa suas redes sociais por mês ? Isso inclui as tecladas no Whatsapp, os vídeos no Youtube e as redes corriqueiras.
Se a sua resposta foi 650 horas por mês, acertou. Isso mesmo! Os brasileiros são líderes em tempo gasto nas redes sociais. E isso significa dizer que estamos 60% acima da média de qualquer outra nação.
As redes sociais mexem com nosso instinto de reconhecimento social. Somos recompensados com curtidas, compartilhadas e seguidores, na medida que publicamos algo que cause empatia digital. Porém, esta interação não gera uma recompensa real, o que pode agravar a situação de quem tem quadro depressivo.
Segundo estudos recentes realizados pela Escola de Medicina de Pittsburgh, nos Estados Unidos, com jovens de 19 a 32 anos, estar conectado o tempo todo e ficar acessando as redes sociais pode desencadear ansiedade, insônia, obesidade, e piorar os quadros de doenças psiquiátricas.
O estudo não acusa as redes sociais como a causa da depressão. Mas podem fazer com que o indivíduo já deprimido utilize as redes sociais como tentativa de preencher um vazio, que será recompensado momentaneamente.
Algumas redes sociais, como o Tumblr e instagram, já exibem mensagens de ajuda caso o usuário pesquise por termos como suicídio, depressão, etc. E no Facebook pessoas podem denunciar uma conta, caso sejam publicados conteúdos impróprios.
Mas existe uma série de especialistas que sugerem que as plataformas mais utilizadas, tais como Facebook e Youtube, comecem a fazer checagens como aviso de que os usuários estão fazendo uso excessivo das redes sociais, e a identificação pelas redes de que o usuário tem problemas de saúde mental, pelo tipo de contudo que publica.
Ha um movimento crescente de psicólogos e psiquiatras tratando os pacientes depressivos pensando em como vão abordar o tema das redes sociais. Pois é um componente inegável de interação humana moderna, querendo a sociedade ou não.
Considerada uma doença silenciosa, a depressão é muitas vezes ignorada, e o acesso à Internet acaba preenchendo uma lacuna que pode suprir momentaneamente a falta de apoio, carinho e amor.
Mudanças de hábito, oscilação de comportamento e insônia são considerados alertas de que alguma coisa não está legal, e que sim, aquela pessoa pode estar com depressão. Mas atenção! Cabe a um médico diagnosticar, ok?
A vida moderna nos impõe um ritmo de vida onde os nossos smartphones passaram a ser a babás eletrônicas de nossos filhos, a respostas aos nossos problemas, e o nosso melhor amigo. E isso inclui um tempo enorme acessando as redes sociais, teclando no Whatapp e assistindo vídeos no Youtube.
Fazemos parte de uma sociedade forjada sobre a competitividade, o stress, e repleta de consumismo, ainda que seja apenas para olhar. E isso sem dúvida deprime as pessoas.
Não tem nenhum problema ficar deprimido, todos nós ficamos. O que não podemos é ignorar que muitos de nós precisam de ajuda e podem ter quadro depressivo intensificado pela exposição à Internet.
Se já assistiu animação, como Divertidamente, séries de TV como 13 Reasons Why, e filmes como A Garota Interrompida, vai entender que a questão da depressão continua um tabu, e merece ser debatida pela sociedade.
Cerca de 17% de jovens entre 13 e 15 anos sofreram cyberbulling através das redes sociais, e isso mostra que, em casos de pessoas diagnosticadas com depressão, isso vai massacrando a autoestima e intensificando a doença.
A ideia de ser amado, acolhido e curtido se resume em uma interação superficial, o que nos leva a uma tirania da felicidade. Afinal de contas, tudo é lindo no Instagram, amado no Facebook, e idealizado no Youtube.
Virtual é bom para encurtar distâncias, gerar empatia e informar, mas isso jamais irá substituir, a fala, o toque e o amor. Agora, imagine que você pode potencializar todas essas interações, porque tem um amigo com depressão?
Nada do que fizer terá impacto sobre o diagnóstico. Mas terá sobre a pessoa depressiva. Quando nos colocamos no lugar do outro compartilhamos aquela sensação mútua de compreensão e isso melhora a vida do outro sobremaneira.
Se tivesse que dar um conselho para alguém sobre depressão e rede sociais, diria que elas têm tudo a ver. Afinal, as interações verdadeiras nas redes sociais começam com as reais primeiro, para depois acabar nas virtuais. Ou vai dizer que sua família, amigos ou colegas de trabalho não são redes sociais?

Maria Augusta Ribeiro é profissional da informação, especialista em Netnografia, escreve para o Belicosa.com.br.

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