quarta-feira, julho 26, 2017

Civilidade, já! * Franklin Epiphanio Gomes de Almeida


No último domingo, a Força Aérea Brasileira, por meio da Esquadrilha da Fumaça, nos brindou com uma belíssima apresentação de suas acrobacias aéreas, desempenhadas por experientes pilotos a bordo de modernas aeronaves A-29 Super Tucano, de fabricação nacional.

Tudo muito lindo, da parte deles, claro.
           
Do lado de cá, da audiência, nós, os chamados cidadãos, demos uma demonstração da nossa incivilidade, da dificuldade que ainda temos em viver em comunidade, em seguir normas, leis, ou mesmo "meras" regras de boa convivencia.

Civilidade, segundo o Google, é o "conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração; boas maneiras, cortesia, polidez".

Mútuo respeito e consideração são, certamente, duas virtudes difíceis de serem exercitadas, mas necessárias, se quisermos viver em sociedade de maneira saudável.
           
Incrível como que, diante do desejo de se fazer presente a um evento festivo, muitas pessoas simplesmente ignoraram uma série de regras, legais ou não, com o intuito de garantir o melhor lugar, a melhor visão.
           
Diante do tráfego agigantado, por conta da quantidade de pessoas que desejavam assistir à apresentação, motoristas estacionaram em locais proibidos; pararam em filas duplas, em alguns locais - pasmem! - até mesmo triplas; subiram em canteiros centrais para atravessar as avenidas; passaram por cima de plantas e flores que estão sendo cultivadas pela prefeitura; impossibilitaram a entrada e a saída de moradores de suas casas, ao estacionarem na frente de garagens.

Até mesmo o prefeito municipal foi impedido de chegar ao local do evento, já que as pessoas, quando não estão sendo monitoradas ou fiscalizadas por policiais ou agentes de trânsito, acreditam que não precisam seguir as normas e atravancam tudo.
           
Na ocasião, eu precisei parar meu veículo ainda no bairro Carumbé, devido ao enorme congestionamento. Assim, fui andando os mais de um quilômetro que separavam meu local de estacionamento do Parque Tia Nair, sendo necessário atravessar a Avenida Dante Martins de Oliveira.

Qual minha surpresa - ou não! - diante da dificuldade de atravessar a avenida, mesmo sobre a faixa de pedestres, a qual não estava sendo respeitada pelos motoristas. Parece que atitudes gentis estão cada vez mais difíceis de encontrarPensar no outro, muitas vezes, é pedir demais.
           
A falta de cordialidade, boas maneiras e polidez das pessoas não se trata apenas de educação, vai muito além. Trata-se também do individualismo de uma sociedade narcisista, onde o verdadeiro significado de coletividade inexiste.
           
Esquecemo-nos que a cidadania plena envolve não só a reivindicação e fruição de direitos, mas também o cumprimentode deveres inerentes à vida em comunidade, bem como a aceitação inequívoca e pronta das respectivas responsabilidades.
           
Vivemos assim num "vale tudopela manutenção de nosso próprio bem-estar, mesmo que algumas atitudes possam desencadear um mal-estar coletivo, indicando que ainda não sabemos viver em sociedade.

Temos grande dificuldade em sermos gentis, somos extremamente individualistas e o trânsito parece exponenciar nosso egoísmo.


* Franklin Epiphanio Gomes de Almeida é major da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, graduado em Direito e mestrando em Política Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

 

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