domingo, julho 02, 2017

Nas masmorras do Alencastro * Sônia Mangoni Lelis


“Enquanto houver política, ela dividirá a coletividade em amigos e inimigos” (Julien Freund)

Todo Palácio tem sua extensão física, e o nosso Alencastro não é diferente...  sua continuidade vai além dos limites impostos pelas colunas de mármore que o sustentam....

Em todo Palácio há o Rei e seus Regentes... assim como os súditos....

O que acontece em cantos ocultos de cada Palácio é assustador. Suas masmorras guardam segredos e lágrimas ....sorrisos sarcásticos e atos desumanos.

Mas, e o Rei? Ah, o Rei...o Rei é ladeado, guardado por guardiões e seus Regentes, nem sempre fiéis, que revelam a ele apenas o que ele quer ouvir, o que convém dizer,  jamais a realidade que o cerca.

Nosso Palácio Alencastro, tal qual qualquer outro, tem seu Rei “preservado” de qualquer importuno súdito que venha revelar o que guarda a masmorra mais fétida.... Não pensem que não há....sim há, e mais próxima do que se imagina.

As extensões do Palácio guardam súditos impotentes que veem dia a dia seus direitos extirpados por “poderosos” Regentes, que esquecem sua transitoriedade e agem como se o Rei fossem, utilizando do “manto” de Vossa Majestade para perpetrar as mais cruéis atitudes, faltando a coragem de assumir seus atos, acreditando que o súdito jamais chegará à seu posto.

A covardia é secular.... Súditos honestos, sinceros de alma e coração são relegados ao fundo da masmorra, sendo lhes atribuído uma pecha destruidora. As amarras invisíveis a que estão submetidos os súditos é mais forte que o Carrasco impiedoso.

A soberba, a briga de egos existente entre os Regentes sempre atrapalhou o bom desenvolvimento do Reino, não sendo diferente em nosso, já não tão, querido Palácio....

Mas e o ordenamento jurídico deste Reino, existe? Sim, existe .... iluminado com pequenos fachos de luz ao findar de cada dia promovem “mudanças”  que traduzem protecionismo exacerbado e perseguições veladas, praticadas pela minoria transitória que deixa trágicas consequências ao Reino e seus súditos.

A frase aos amigos do Rei....é uma constante em nosso Palácio, tão depreciado por quem tem dever de ofício dele zelar.

Pior que a frase mal utilizada é o favorecimentode quem sequer sabe o nome do Rei, de quem lutou à frente contra este mesmo Rei e hoje esconde suas armas sob a falsidade peculiar dos que se aproveitam de momentos de descuido dos Regentes mal informados e dominados pela esperteza de quem sob a burla, conseguiu proximidade.

Os interesses pessoais, como em qualquer reinado, se sobrepõe ao interesse do Rei e seu Reino, que diante de sua extensão , se perde em tantos afazeres ,  e acaba  muitas vezes “ilhado” em seu castelo.

Neste Reino há uma horda que busca oprimir e extinguir súditos comprometidos e que almejam ver o progresso, no entanto, a dinâmica das relações sociais, políticas e econômicas  tem deixado  a Corte num estado de obsolescência total.

O que é importante, é relegado, é suprimido pela ânsia de manutenção no poder a qualquer custo.

Desejo que este Reinado tenha final diferente dos que a história nos mostra, onde traições contra o Rei são constantes, onde as masmorras guardam os verdadeiros heróise o Rei  acaba “morto” ou “deposto” por não querer ou conseguir ouvir quem realmente busca proteger o Reino.

Será que a frase “Há algo de podre no Reino da Dinamarca”não virá a ser substituída por outro local?

SÔNIA MANGONI LELIS é presidente da Associação dos Procuradores do Município de Cuiabá.



 

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