quarta-feira, agosto 23, 2017

A hidrovia no rio Cuiabá – 1 *Maurício Munhoz Ferraz


“O Rio Cuiabá é navegável desde sua confluência com o Rio Paraguai até o Porto Jofre”. Trecho do relatório da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), de 2013.

O Porto Jofre, localizado em Poconé, na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, pode ser mais uma opção de porto hidroviário para Mato Grosso.

Assim como Cáceres, através do Porto de Morrinhos, há viabilidade para que a hidrovia sirva como estrutura intermodal para o Estado, e também como transformador do modal econômico, ou seja, com uma estrutura logística mais eficiente, além de facilitar o escoamento da produção primária, abre se espaço para a industrialização.

O mesmo relatório da Antaq mostra que o Brasil tem cerca de 13 mil quilômetros de hidrovias economicamente utilizáveis.

Se fossem realizadas as obras estruturais adequadas, além da exploração de outros rios e lagos com potencial econômico, a malha hidroviária do Brasil poderia chegar a 63 mil quilômetros.

Apesar desse potencial, o volume de cargas transportadas nos rios brasileiros ainda é muito pequeno.

Anualmente, navegam pelas hidrovias nacionais cerca de 45 milhões de toneladas de carga, o que equivale a apenas 4% do total transportado em todo o Brasil.

Para fins de comparação, as estradas brasileiras são responsáveis por 58% da movimentação de cargas, o que equivale a 652,5 milhões de toneladas.

O Estado de São Paulo é o mais avançado em termos de utilização de hidrovias, e tem um plano estratégico para ampliar ainda mais sua malha.

Mato Grosso não parece discutir seriamente possibilidades hidroviárias, enquanto isso fica muito dependente das rodovias.

É claro que há preocupações ambientais, mas também existem tecnologias que podem controlar os impactos ambientais e hidrológicos nos projetos de navegação.

O que não podemos é ignorar essa possibilidade logística e fugirmos de um debate propositivo, e que pense uma interligação intermodal com as ferrovias, rodovias e hidrovias.


Maurício Munhoz Ferraz é economista em Cuiabá.


0 comentários:

Postar um comentário