quinta-feira, agosto 17, 2017

Obesidade, problema de saúde pública * Hélcio Corrêa Gomes


Pesquisa do Ministério da Saúde divulgada neste mês revelou que 54% dos brasileiros estão acima do peso corporal (adequado). Há enorme quantidade de pessoas com índice de massa corporal superior aos 30 de IMC. E que correm riscos de saúde, que poderiam ser evitados com simples reeducação alimentar e abandono do forte sedentarismo.
O Brasil no ranking mundial da Organização Mundial da Saúde está entre os cinco primeiros países com mais obesos. Tal fator traz mais doenças crônicas do coração, hipertensão, diabetes e outras enfermidades metabólicas, que já registram juntas 78% dos óbitos nacionais.
O Sistema Único da Saúde tem gasto mais de R$ 500 milhões ao ano para tratar doenças relacionadas como obesidades. E mantém 17,9% dos adiposos como clientela cativa hospitalar.
A própria cirurgia bariátrica (redução de estômago), que deveria atender paciente com obesidade mórbida (IMC acima de 40) está banalizada. A nova geração ignora toda recomendação médica e alimentar saudável. Há, também, o subterfúgio de remédios emagrecedores e dietas faustamente milagrosas.
Ora, obesidades resolvem com menor ingestão de calorias e exercício físico regular. Enfim, dieta equilibrada e exercício para vida saudável, que contorna o grande problema de saúde nacional coletiva. Aqui qualquer outra solução fica na órbita da mágica ludibriadora. Um dia magro e noutro gordo e com saúde pessoal cada vez mais debilitada.
Nos últimos 10 anos os adolescentes brasileiros saíram de 4,4% para 8,5% de obesos, segundo dados ministeriais. Até as crianças já atingem 33% com sobrepesos. 14,3% delas obesas, conforme dados/2016 do Ministério da Saúde. Tudo indica que o problema vai prevalecer e em alta.
O Congresso Nacional entrou na farra da indústria farmacêutica ao liberar remédio emagrecedor sem teste e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Expôs a população ao maior malefício. Transformou o país num campo africanizado de teste de novo fármaco. Algo inédito com aval inacreditável do presidente Michel Temer.
Aqui são sanduíches, pizzas, pasteis etc. com altos índices de carboidratos, açúcares e gorduras saturadas. Refrigerantes, batatas fritas e petiscos salgadíssimos guiando abertamente a alimentação ou fabricando a epidemia nacional dos doentes por alimentação inadequada.
Vale ressaltar, que no Brasil, por razão cultural e logística precária, a mais de 40 anos atrás não se tinha a preferência por alimentos hipercalóricos. A refeição saudável era a regra. O arroz com feijão, bastante verduras e pequena porção de carne ou ovo, ao domingo macarrão com frango (extravagância tolerável) como alimentação nacional peculiar e interessante em termos nutricionais num corriqueiro familiar.
Hoje os brasileiros no geral exercitam menos que os que viviam aqui há 50 anos. E acham que vão envelhecer com boa saúde e higidez mental dos antigos. Mas dificilmente arrastam além da mediana de 66 anos.
Eis o futuro ruim para mais de 62 milhões de adoentados para décadas posteriores, que apreciam as refeições rápidas (hamburguês e fritas) regadas com refrigerantes adocicados das franquias internacionais. É a grande ilusão de comer mal ou alimentar prejudicando a própria saúde, que tem sua cobrança natural ao longo do tempo duro e implacável.

Hélcio Corrêa Gomes, advogado.
 

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