sexta-feira, agosto 04, 2017

Orlando Perri diz que Pedro Taques não tinha conhecimento do esquema de grampos


O desembargador Orlando Perri, ao decretar a prisão preventiva do ex-secretário chefe da Casa Civil, Paulo Taques, afirmou em seu despacho que não existe até o momento qualquer indício de participação do governador Pedro Taques (PSDB) no esquema. Ele explana que apesar dos fortíssimos indícios do envolvimento de Paulo Taques com o grupo criminoso responsável por operar um esquema de escutas telefônicas clandestinas na modalidade “barriga de aluguel”, o mesmo não se pode dizer – por ora – quanto ao governador. “Não há, até o momento, nenhum elemento, mínimo que seja, de sua participação na propalada organização criminosa, ou, pelo menos, de que sabia ou de que aquiesceu com os atos por ela praticados”.
Orlando Perri destaca que a para as escutas serem realizadas “os principais envolvidos na trama delituosa são sempre as mesmas pessoas” ou seja, alguns policiais militares e também Paulo Taques. Os PMs citados na decisão são o cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante geral da Polícia Militar, coronel PM Airton Benedito Siqueira Júnior (atual secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos), coronel Evandro Ferraz Lesco, coronel Ronelson Barros (ex-adjunto da Casa Militar), dentre outros. Dos policiais citados, somente Siqueira Júnior não foi preso.
“Em suma: os suspeitos de participação na prática do crime de interceptação telefônica ou são policiais militares, responsáveis pelo núcleo de inteligência, ou são pessoas que ocupam ou já exerceram cargos de Secretário de Estado. Neste viés, são induvidosos os indícios de que estamos diante de organização criminosa devidamente arquitetada e muito bem articulada, inclusive ocupando cargos no alto escalão no Governo do Estado de Mato Grosso, e não diante de crimes isolados, praticados por agentes diversos, sem nenhum elo entre eles”, afirma Perri em sua decisão.
Conforme o próprio desembargador Orlando Perri, não há base, até o momento, para afirmar, com segurança, em que consiste a participação de Paulo Taques na organização criminosa. O magistrado avalia que ainda existem dúvidas se ele apenas se valeu dos “serviços” por ela prestados ou se participou ativamente, inclusive com aporte financeiro, sobre o qual recai a suspeita inicial.

“O que se pode afirmar, contudo, é que, diante do volume investido na organização criminosa, inclusive para aquisição de sistema próprio de escuta telefônica, de todo aparato tecnológico necessário, da instalação do escritório em sala comercial alugada e das despesas ordinárias mensais, dúvidas não há de que o grupo possuía um mantenedor abastado, alguém que investisse financeiramente para manutenção dos trabalhos”, enfatiza no despacho.
 

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