sábado, agosto 26, 2017

Silval Barbosa acusa Blairo Maggi de pagar R$ 4 mi para ex-conselheiro não se aposentar


Na delação premiada de Silval Barbosa consta acusação de que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), teria pago R$ 4 milhões para o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Alencar Soares, não se aposentar. Segundo o denunciante, isso seria para Maggi indicar uma pessoa de confiança para o cargo.
Conforme a acusação, o conselheiro Alencar disse que já havia vendido a vaga para o atual conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, atualmente afastado do cargo pela Justiça, em janeiro deste ano, justamente numa ação por improbidade movida pelo Ministério Público Estadual por causa da compra da vaga no Tribunal de Contas do Estado. O conselheiro recebeu de forma antecipada o valor de R$ 2,5 milhões, como parte do pagamento.
Ainda segundo Silval, Maggi, então, conseguiu convencê-lo a permanecer no cargo, tendo que pagar R$ 4 milhões. Silval afirma que Eder pegou o valor com Júnior Mendonça, responsável por “lavar” o dinheiro dos esquemas, e entregou ao ex-conselheiro Alencar, que por sua vez ficou com R$ 1,5 milhão tendo devolvido R$ 2 milhões para Sérgio Ricardo.
Depois, em 2012, Maggi tomou conhecimento de que Sérgio e Alencar voltaram a negociar e Sergio teria adquirido a vaga por um valor entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões. Na delação, Silval afirma ainda que, apesar de saber da negociação, foi obrigado a sancionar a nomeação de Sérgio.
Isto porque as vagas para o TCE são escolhidas de forma regimental e por lei, sendo uma vaga de escolha do Executivo e outra para a Assembleia Legislativa (AL). Nesta ocasião, a vaga era de escolha da AL, por isso a nomeação de Sergio Ricardo.
Por meio de nota, o ministro Blairo Maggi negou qualquer ato de corrupção e classificou como "lamentável" os ataques à sua reputação.
Veja a nota
NOTA À IMPRENSA
Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:
1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.
2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.
3. Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.
4. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.
5. Por fim, entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça.

Blairo Maggi


 

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