sábado, agosto 26, 2017

Trabalho: sacrifício ou realização? *Eduardo Shinyashiki


Quantas vezes saímos de casa para ir ao trabalho com a sensação de fadiga, queixas de estresse, ansiedade e, até mesmo, com doenças físicas?

Além de prejudicar a saúde esses sentimentos aumentam a desconfiança a respeito da profissão que escolhemos, já que podem ser causados por fatores como: excesso de tarefas, medo da demissão, conflitos interpessoais no ambiente de trabalho, percepção de não conseguir alcançar os objetivos estabelecidos e desequilíbrio entre o desempenho exigido e a crença de não possuir as capacidades necessárias.

Com o passar dos anos, a distância entre as expectativas profissionais e as limitações pessoais pode ficar cada vez maior na nossa cabeça e, assim, criar um profundo mal-estar.

Para melhor compreendermos todos esses sentimentos, vou contextualizar com uma explicação sobre a origem do trabalho: por muito tempo, os gregos e os romanos, por exemplo, consideravam-no uma obrigação servil, destinada aos escravos e prisioneiros.

Apenas a partir de 1700, o trabalho começou a se tornar uma atividade cada vez mais difundida entre todas as classes sociais e, gradualmente, uma mudança ocorreu na representação desse conceito.

Deste modo, começaram a enxergá-lo como uma atividade digna, orientada a atingir objetivos e realizações.

Todo este cenário está relacionado à origem etimológica da palavra “trabalho”.

No latim, “tripalium” denomina um instrumento de tortura e “labor” (lavoro, em português) significa esforço, dor e pena.

Ou seja, ambos têm como raiz uma conotação emocional amarga, dolorosa, negativa, de sofrimento, fadiga, exploração, punição e restrição da liberdade individual.

Felizmente, a concepção contemporânea de trabalho orientou-se em direção a ideias opostas, que apresentam uma visão como algo direito do ser humano, espaço para a valorização dos talentos e capacidades individuais, criatividade, satisfação profissional e realização pessoal.

Entretanto, em alguns momentos da nossa vida, pode parecer que o trabalho lembre mais o significado da antiguidade e esteja mais relacionado à punição do que a realização.

O importante nesta questão é saber equilibrar as “identidades” profissional e pessoal.

Conhecer a si mesmo, saber seus fatores individuais de caráter e pensá-los em conjunto com os aspectos ambientais da organização da empresa, ao conteúdo profissional e à relação com a equipe podem ser pontos importantes de reflexão para viver o trabalho não como um peso e um castigo, mas como um espaço de realização e satisfação pessoal.


*Eduardo Shinyashiki é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. www.edushin.com.br


 

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