sexta-feira, setembro 29, 2017

A crise continua azedando *Juacy da Silva


Diferente do que muita gente imagina ou afirma, a crise brasileira, principalmente a crise política, longe  de estar próxima de seu fim, a cada dia está ficando mais complicada e de difícil solução ou como se diz na linguagem popular, está azedando.
Mesmo que o espírito de corpo ou de porco da Câmara Federal e também do Senado venha demonstrando que dificilmente a segunda denúncia contra Temer,  agora vindo também recheada com mais dois amigos  do peito do Presidente, os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha, deverá ter prosseguimento para que o Supremo Tribunal Federal investigue Temer, desta vez por organização criminosa  e obstrução de justiça, isto não significa que as denúncias,  a primeira e esta segunda, vão para a lata do lixo. Vão ficar apenas suspensas, aguardando até que Temer termine seu mandato usurpado de sua antiga aliada Dilma e seja investigado, julgado e podendo até ser preso, como deve acontecer  com o ex-presidente Lula, que já  foi condenado pelo Juiz Sérgio Moro a quase dez anos de cadeia.
Para  o povo, os eleitores e contribuintes, é duro  e vergonhoso saber que o Presidente da República e pelo menos até agora dez de seus ministros, tenham sido denunciados por corrupção passiva, formação de quadrilha, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro, apropriação indébita (roubo), tráfico de influência e outros crimes de colarinho branco.
De forma semelhante, mais de uma centena de parlamentares federais, deputados federais e senadores, também foram denunciados ao longo dos últimos dez anos pela Procuradoria Geral d República por cometerem diversos crimes de colarinho branco. Todos  esses  parlamentares gozam dos privilégios dos cargos e também são  protegidos pelo famigerado foro privilegiado, que lhes garante serem investigados apenas pelo Supremo Tribunal de Justiça,  uma excrecência jurídica que, pela morosidade do STF, acaba favorecendo a impunidade dos poderosos e que precisa ser extinto o mais breve possível se quisermos ter uma democracia de verdade  e que o princípio da igualdade de todos perante a Lei seja um fato  e não apenas uma figura de retórica.
Para complicar este quadro e azedar ainda mais a crise política, o STF  acaba de afastar de seu mandato o todo poderoso Tucano, que quase chegou a Presidência da República, Aécio   Neves, negando parte do pedido feito pelo então Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, para que, além de ser afastado de seu cargo, o Tucano também fosse preso, como aconteceu com o senador Delcídio do Amaral, então líder do Governo Dilma no Senado.
Mesmo negando esta parte do pedido da Procuradoria Geral da República,  uma das turmas do STF  entendeu que o senador Aécio além de ser afastado deve “permanecer” em casa  a noite e aos finais de semana e feriados, situação muito semelhante ou igual a uma prisão domiciliar, mesmo que  sem tornozeleira eletrônica, como aconteceu com o ex governador Garotinho ou o amigão de Temer, ex-ministro Gedel Vieira de Lima, aquele que foi pego com um montão de dinheiro, R$51 milhões de reais em malas, caixas de papelão, muito mais do que os deputados de Mato Grosso recebiam a título de propina ou 510 vezes o que Rodrigo Loure, o ex-assessor de Temer apanhou em uma pizzaria e saiu correndo com uma mala preta nas ruas de São Paulo.
Qualquer semelhança com bandidos que assaltam bancos, lojas e residências é mera coincidência.
Relativamente ao afastamento de Aécio  está havendo uma grande “articulação”  entre o governo Temer, o Senado, a Câmara Federal e há quem diga que com apoio dissimulado de algumas figuras expoentes do Judiciário, para livrar tanto o senador Tucano e muito mais do que isto, evitar que dezenas de figurões do Congresso Nacional e os ministros de Temer que estão sendo investigados pelo STF tenham o mesmo destino do Tucano  ou aconteça  como de  um deputado federal que está preso na Papuda e todos os dias vai `a Câmara Federal  para “trabalhar”.
Se  o Senado “revogar”  ou não aceitar a decisão da turma do STF, com certeza estaremos diante de um confronto ou um conflito institucional grave, situação muito próxima a descrita pelo General de Exército Antônio Hamilton Martins MOURÃO, em conferência proferida recentemente na Maçonaria, Grande Oriente do Brasil, em Brasília, onde disse com todas as letras que se as Instituições Nacionais, principalmente o Judiciário não resolver a crise que se agrava,  não restaria `as  Forças Armadas outra opção a não ser  uma intervenção que “resolvesse’  esta crise. Pronunciamento que ainda continua ecoando tanto nas casernas quanto no meio politico, empresarial e na mídia.
É aguardar para  ver. De uma coisa estou certo, é  uma lastima para o Brasil e para o povo saber que estamos sendo governados por um grupo de pessoas que teimam em roubar os cofres públicos e continuarem impunes.


*Juacy da Silva é professor aposentado da UFMT. Twitter@profjuacy Email professor.juacy@yahoo.com.br Blog www.professorjuacy.blogspot.com
 

0 comentários:

Postar um comentário