quinta-feira, setembro 07, 2017

Ministério Público de Contas ingressou no TCE para anular repasse milionário


O Ministério Público de Contas (MPC) de Mato Grosso entrou no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) com uma representação Interna com pedido de medida cautelar contra a suplementação de R$ 6,7 milhões  realizada pela Prefeitura de Cuiabá em favor da Câmara Municipal depois que 19 vereadores votaram contra o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB) flagrado em vídeo recebendo propina na época que era deputado estadual.

Conforme o MPC, o objetivo do processo é evitar que esses recursos financeiros sejam usados antes de apurar se houve desvio de finalidade no ato de gestão do prefeito Emanuel Pinheiro.

De acordo com os procuradores de Contas, William de Almeida Brito Júnior e Gustavo Coelho Deschamps, o decreto 6.343/2017, de 30 de agosto deste ano, abriu crédito suplementar de R$ 6,7 milhões em favor da Câmara de Vereadores, logo após a decisão do Legislativo Cuiabano de arquivar pedido de instauração da CPI do Paletó contra Pinheiro. Dos 25 vereadores, somente 6 assinaram o requerimento apresentado pelo vereador Marcelo Bussiki ao passo que eram necessárias 9 assinaturas. 

A CPI tinha por objetivo investigar uma eventual prática de crime por parte do atual prefeito da capital mato-grossense, quando no exercício no cargo de Deputado Estadual. O atual gestor do executivo municipal aparece em um vídeo recebendo considerável quantia em dinheiro das mãos de Sílvio César Corrêa Araújo, ex-Chefe de Gabinete do então Governador Silval Barbosa. O vídeo, veiculado na imprensa nacional, faz parte da colaboração premiada do ex-gestor estadual Silval Barbosa com a Procuradoria Geral da República.

O MPC-MT aponta que foram retirados do Poder Executivo dotações orçamentárias de setores altamente sensíveis e fundamentais para a qualidade de vida da população, como ações de assistência social, apoio aos direitos das pessoas com deficiência, manutenção dos Conselhos Tutelares, microcrédito produtivo para geração de emprego e renda, construção de unidades habitacionais, recuperação e manutenção do sistema viário e manutenção da Guarda Municipal.

Outra questão apontada na representação interna do MPC-MT é a resposta dada pela Prefeitura à sociedade, por meio da imprensa. Segundo o MPC-MT, foi informado que a suplementação ocorreu porque teria havido excesso de arrecadação no último trimestre de 2016. Isso seria inverídico, haja vista que a suplementação orçamentária decorreu de anulação de dotações para ações da própria prefeitura em áreas como assistência social, apoio aos direitos das pessoas com deficiência e asfaltamento de vias públicas, por exemplo.

Antes do decreto, o orçamento da Câmara Municipal de Cuiabá para 2017 era de R$ 42.6 milhões. Com o incremento passaria para R$ 49.3 milhões. Se o pedido de medida cautelar for acolhido pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso, o presidente da Câmara ficaria impedido de utilizar os recursos extras até que os fatos fossem apurados e julgados pelo TCE.


Com informações da assessoria
 

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