terça-feira, setembro 05, 2017

“O Executivo quer é mudar o foco”, diz vereador sobre o repasse da verba suplementar


O vereador Abilio Junior (PSC) entende que o repasse de mais de R$ 6,7 milhões por meio de suplementação orçamentária à Câmara de Vereadores é uma “manobra política”, que tem como objetivo “mudar o foco” da mídia e das manifestações populares em Cuiabá.

Abilio diz que desde a assinatura do decreto publicado na última quinta-feira (31-08), grande parte das notícias veiculadas na imprensa local era quanto a ação tomada pelo chefe do Executivo Municipal. De acordo com o parlamentar, a maioria das reportagens levava ao entendimento de que a suplementação foi feita em contrapartida da não abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

“Essa associação é descabida. A Câmara de Cuiabá não tem vereador denunciado pelo Ministério Público ou mesmo delatado pelo ex-governador, Silval Barbosa. O prefeito Emanuel tomou essa decisão de suplementação num momento totalmente inoportuno. Ele teve a chance de fazer isso antes, mas não o fez. Por mais constitucionalmente legal que seja a medida, tomá-la num contexto em que ele enfrenta um desgaste político, é uma atitude que coloca a Câmara como vilã, e não é bem assim”, defende Abilio, lembrando que a delação de Silval divulgou lista com deputados de legislaturas passadas e atual, contudo, “a Assembleia Legislativa não tem discutido sobre o assunto na própria Casa, nem sofrido a mesma cobrança na mídia e da população”.

Uma nota publicada nessa segunda-feira (04-09) pela Casa de Leis, esclarece que a Câmara manifestou sobre a necessidade de suplementação na ordem de R$ 6,7 milhões, em 16 de agosto deste ano, ou seja, antes de o escândalo político envolvendo o prefeito tivesse ocupado o noticiário nacional, consequentemente, virado pauta das redações, tema de debate na Câmara e de manifestações populares (contra e em favor do prefeito).

“A Casa já tinha manifestado a necessidade de obter essa suplementação. Agora, o prefeito realizar o ato bem no momento em que é alvo de críticas e cobranças por parte da imprensa e, principalmente, da população, que clama por um esclarecimento público sobre as imagens as quais ele aparece embolsando maços de dinheiro, para mim isso tudo é uma forma de manobrar a opinião pública. É deixar de explicar o contexto dos fatos e tentar desviar a atenção popular, colocando em cheque a credibilidade da nossa Legislatura”, avalia Abilio.


O vereador Abilio, juntamente com outros cinco – Marcelo Bussiki/PSB, Felipe Wellaton/PV, Dilemário Alencar/Pros, Gilberto Figueiredo/PSB e Sargento Joelson/PSC – assinou o termo de abertura da CPI para apurar os fatos relacionados às imagens publicadas do prefeito Emanuel Pinheiro, na delação do ex-governador Silval Barbosa, o qual apontou um esquema sistemático de pagamento de propina durante o período em que governou o Estado de Mato Grosso.
 

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