terça-feira, novembro 14, 2017

Com zika e crise, nascimentos recuam no país após 6 anos; casamentos caem


O número de nascidos no Brasil em 2016 caiu 5,1% em relação ao ano anterior. O fenômeno aconteceu em todas as regiões do país. O número de casamentos também sofreu queda -tanto para gays quanto para heterossexuais- e o de divórcios, por sua vez, aumentou.
É o que mostra a pesquisa anual Estatísticas de Registro Civil, divulgada nesta terça-feira (14-11-17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Uma das hipóteses para explicar a queda do número de nascidos é o surto de zika, que inibiu mulheres de engravidarem. Reforça essa hipótese o fato de o Estado de Pernambuco, que teve muitos casos da doença, ter tido a maior queda do número de nascimentos ocorridos e registrados em 2016 entre todas as unidades da federação. Também é possível que a crise financeira por que passa o país tenha tirado o ímpeto dos casais a terem filhos.
Se o número de nascimentos caiu, a idade das mães se manteve a mesma de 2015. Mulheres do Norte e do Nordeste foram mães mais jovens do que no resto do país. Na região Norte, há maior concentração no grupo de idade de 20 a 24 anos (29,6% dos nascidos). Já as regiões Sul e Sudeste têm as mães mais velhas. Nelas, o maior percentual de nascimentos ocorre entre mulheres de 25 a 29 anos (24,7% no Sul e 24,3% no Sudeste), 20 a 24 anos (23,5%) e 30 a 34 anos (22,1%).
As pessoas também se casaram menos em 2016, tanto gays quanto heterossexuais. Houve redução de 3,7% no total de casamentos em relação a 2015.
A taxa de nupcialidade legal foi de 6,87, o que significa que, para cada mil brasileiros em idade para casar, sete, em média, se uniram legalmente. Para cônjuges do mesmo sexo, as exceções foram as regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde houve aumento nessas uniões de 1,6% e 7,7%, respectivamente.
Divórcios, por outro lado, aumentaram. Os dados se referem a casamentos heterossexuais. Não há dados sobre divórcios de casais do mesmo sexo. Em 2015, a taxa geral de divórcios havia decrescido de 2,41 divórcios a cada mil pessoas de 20 anos ou mais em 2014 para 2,33. Em 2016, o índice foi de 2,38.
A duração dos casamentos se manteve a mesma de 2015: 15 anos. Assim como aconteceu em 2015, a maior proporção (48%) de divórcios aconteceu em famílias com filhos menores de idade. Houve aumento, no entanto, na proporção de guarda compartilhada entre os cônjuges. Em 2015, a proporção foi de 13% e em 2016, de 17%.
ÓBITOS
Nos últimos dez anos, o volume de óbitos registrados teve aumento de 25%. A pesquisa compara o número de mortes por década, e não por ano. Isso decorre da redução das mortes de crianças pequenas, que fez com que um número maior de pessoas chegasse à velhice, gerando um envelhecimento geral da população.
Em 1976, menores de um ano e menores de cinco anos representavam 27,8% e 34,7% do total de mortos, respectivamente. Em 2016, esses percentuais passaram a representar 2,4% e 2,9%.
A mortalidade é diferente para homens e mulheres porque homens são mais afetados por causas externas, como acidentes de trânsito, afogamentos, suicídios, homicídios e quedas acidentais.
A sobremortalidade masculina aumentou nas últimas décadas. Em 2016, um homem de 20 anos tinha 11,1 vezes mais chance de não completar os 25 anos do que se fosse do sexo feminino. Em 1976, o valor era de 4,6 vezes.

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