quarta-feira, novembro 01, 2017

Tchapa e cruz * Renato Gomes Nery


No artigo da semana passada, fiz uma superficial análise da trajetória de um ex-governador e o seu eventual envolvimento com as eleições do ano que vem. O texto publicado aqui nesta coluna e reproduzido por alguns sites, provocou a ira de uma minoria. Eu exponho, faço análises, discuto ideias, fatos, maneiras de ver o mundo, a vida e as pessoas, provocando um salutar debate. Quando os patrulheiros da insensatez abandonam texto e partem para ataques pessoais eu fico constrangido. Pode-se não gostar da mensagem, mas não precisa matar o mensageiro. Enfim, ossos do ofício!
Fiquei imensamente satisfeito quando o atual Governador foi eleito. Eu o conheço desde muito jovem como aluno da ETFMT, onde estudei e trabalhei por muitos anos. Uma estrela ascendente, com destaque no Ministério Público Federal e projeção nacional como Senador da República. Fui seu entusiasta. Escrevi um artigo sobre ele, há alguns anos. Era o prenúncio da renovação dos quadros político do Estado, após o desfecho de dois governos acusados de muitos desmandos. Hoje, entretanto, a sua estrela não tem mais o mesmo brilho e me preocupo com desfecho de sua história.
Onde se encontra a renovação da classe política do Estado de Mato Grosso e do Brasil, eu não sei! Urge encontrar uma solução, pois o mundo e a vida andam para frente, pois "pra trás não dá mais" (Pedras que cantam - Canção).
Temos a equivocada síndrome do isolamento - o que leva a crença de que o que vem de fora é melhor. É preciso abandonar este viés, bem como o de ficar procurando o ideal que não existe nem aqui e nem em lugar nenhum.
Não tenho nada contra ninguém, mas tenho horror a aproveitadores, venham de onde vierem! Entretanto, creio que precisamos renovar os nossos brios. "Quem muito abaixa a bunda aparece", ensina o dito popular. Não podemos correr o risco, de permitir que outro aventureiro lance mão, entregando este rico Estado a outro Cortez, pois a história recente não recomenda este desiderato. Os desvios da vala aberta do VLT que nos desafia é fruto da ganância de "estrangeiros" precursores de desenfreada corrupção.
Por que não entronizamos uma liderança de "tchapa e cruz", já que além das razões acima, a maior base eleitoral do Estado é aqui? Depois de 40 anos da Divisão do Estado de Mato Grosso, onde vivíamos as turras com "estrangeiros", não seria prudente, pelo histórico recente, cometer os mesmos erros. A história não pode e não deve ser repetir, pois se o fizer - "na primeira vez será em forma de tragédia e pela segunda em forma de farsa", como sentenciou Karl Marx.

Renato Gomes Nery é advogado em Cuiabá. E-mail- rgnery@terra.com.br

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