domingo, dezembro 17, 2017

Novos, porém os mesmos * Jairo Pitolé Sant'Ana


Mesmo que o antropólogo Claude Levi Strauss e o ex-presidente Charles De Gaulle, ambos franceses, tenham afastados a possibilidade de serem autores da frase "O Brasil não é um país sério", não adianta. Ainda não somos um país sério. Ao contrário, continuamos um país da escamoteação, onde o escrito está sujeito a múltiplas interpretações, exceto o seu real significado. Especialmente na política.
Vejamos dois exemplos. 1) Desgastados junto à opinião pública, alguns partidos políticos se apropriam de nomes já consagrados em outros países, mas com propostas totalmente diferentes do original. Um exemplo claro é o Podemos, cuja origem é espanhola e de ideologia de esquerda, surgido da indiferença do eleitorado em relação aos outros partidos tradicionais (PP- Partido Popular) e PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).
De partido de orientação progressista, na Espanha, se transforma, no Brasil, em trincheira para ideias conservadoras e retrógradas, como as do Pastor Marco Feliciano (que, parece, pretende se filiar à sigla, que já conta em suas fileiras com os senadores Álvaro Braga, PR, e Romário, RJ, e Marcelinho Carioca, ex-jogador e agora jornalista) , de defender o estapafúrdio cura gay.
Não só os partidos trocam de nome como os políticos mudam de partidos, cujo critério principal é espaço para disputa de uma eleição que virá pela frente ou ser influente. Ideologia é o que menos conta. Outro exemplo vem de Mato Grosso, onde um grupo de políticos, em conflito com a direção partidária, segue para outra legenda, cuja cartilha difere totalmente da deixada pra trás. Ou seja, deixam o PSB e vão para o Democratas.
Transporte individual dia desses, numa roda de conversa, comentou-se sobre o trânsito de Cuiabá e Várzea Grande e alguém sugeriu que ambas as cidades possuíam uma frota de 700 mil veículos. Como São Tomé, decidi conferir nas estatísticas do IBGE e constatei que, embora não sendo bem assim, rodam muitos carros nesta capital e na conurbada vizinha cerca de 550 mil no total
Um veículo a cada um habitante e meio, bem abaixo da média nacional, em torno de um veículo para 2,19 habitantes (ou uma frota de 93,3 milhões de veículos para 206 milhões de habitantes). A média mato-grossense também fica bem abaixo da média nacional (1 x 1,74).
Uma frota que cresceu em cerca de uma década e meia e que continua crescendo, embora mais timidamente. Infelizmente, com ênfase no transporte individual e sem as contrapartidas de infraestrutura e logística, por parte dos gestores municipais, para melhor fluir o trânsito e evitar os constantes transtornos. Que o digam motoristas e pedestres!
Jairo Pitolé Sant'Ana é jornalista em Cuiabá e sócio da Coxipó Assessoria de Imprensa

 

 

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