segunda-feira, janeiro 22, 2018

Pesquisa aponta ascensão recorde de bilionários no Brasil


No ano passado, 233 pessoas entraram para o clube dos bilionários do mundo, o minúsculo topo do topo da pirâmide socioeconômica global onde já se espremiam 1.810 ultrarricos. Nove a cada dez deles são homens, 43 são brasileiros. Trata-se da maior alta no número de indivíduos com patrimônio acima de US$ 1 bilhão desde que a revista "Forbes" iniciou a célebre lista, em 1987.
O fenômeno tem múltiplas causas: melhor desempenho da economia global, alta histórica das bolsas, distribuição de lucros e dividendos cada vez mais vultosos, isenções fiscais, sonegação e a captura de políticas públicas pelas elites econômicas.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (22-01-18) pela ONG britânica Oxfam, não é possível compreender este boom de bilionários sem observar uma questão de fundo: um sistema econômico que recompensa mais a riqueza que o trabalho.
A hipótese dá título ao documento "Recompensem o trabalho, não a riqueza" previsto para sair na véspera do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), que reúne boa parte do PIB global. "Para nós é importante discutir com grandes corporações porque muito da desigualdade tem a ver com a atuação delas, que estão maximizando os lucros de seus acionistas enquanto precarizam salários e condições de trabalho", diz Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil.
Segundo ela, o setor da moda é emblemático dessa dinâmica. O conglomerado que abriga a marca Zara, por exemplo, pagou cerca de US$ 1,5 bilhão em dividendos a Amancio Ortega, seu fundador e um dos homens mais ricos do mundo. Fornecedores do setor, no entanto, pagam US$ 4 por dia por longas e insalubres jornadas de trabalho.
Entre as recomendações da Oxfam estão políticas empresariais que limitem retornos para acionistas, promovam o coeficiente de remuneração de altos executivos ao teto de 20 vezes o salário médio de seus empregados e garantam a representação de trabalhadores em seus conselhos, apoiando negociações coletivas.

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