sexta-feira, março 23, 2018

Consciência para o pombo. Liberdade para a águia. *Cynthia Lemos



Como você se sente consigo mesmo?

Como é estar na solidão da sua própria companhia?

Poxa, às vezes eu sinto uma saudade de mim mesmo.

Da minha solidão preenchida, repleta da minha própria presença. Do meu jeito imperfeito de ser.

Para estar em minha própria companhia, é preciso silêncio.

O silêncio contido na sabedoria do universo imenso, que desconsideramos diante das nossas cascas duras perante a sociedade, que buscamos representar.

A casca dura que nos limita e nos coloca dentro de uma caixinha apertada e tensionada.

Que eu possa ser livre para poder lidar com o meu jeito espaçoso e expansivo de ser, de me espreguiçar em todo meu potencial e me arriscar a ser quem sou, neste jeito às vezes meio doido fora do padrão, mas que expresse minha vontade de me expressar em ser do meu jeito.

Em um restaurante tradicionalmente pomposo e belo, estavam Müller e Joana. Era dia 31 e a grande cantora abriu seu show de Música Popular Brasileira, em um fundo de muito gingado e samba.

O público vibrava interiormente de vontade de gingar, de se levantar. Ninguém o fez, feria a etiqueta, era preconceituosamente deselegante. Menos para a alma de Joana e Müller. Ela estava livre depois daquela reflexão de Natal. E ali sambou, soltou e foi feliz. Feliz por ser ela mesma, em paz de dentro pra fora, despreocupada e despretensiosa de qualquer julgamento ou crítica que dali pudesse haver.

Livre para si mesma desfrutou da noite, da virada de ano, e assim permitiu que outros ali pudessem pegar carona em seu jeito de se jogar sem se iludir como alguém fora do padrão, pois estava liberta para riscos mais significantes de propósito.

Sambou livre e feliz, e assinou uma quebra de paradigma para aquele local que gingou leve ao ritmo da cantora e de seus convidados cheios de gingado.

Vida imensa. Cheia de significados. Venha me buscar da minha solidão e me preencher da sua luz despretensiosa. A luz em ser quem eu quero, ser sem me preocupar em ser aceito ou rejeitado. Sem a rigidez de ter que ser alguém... Sem a tensão de não ser por me arriscar em circular fora da minha zona de controle, dentro da zona de instabilidade.

Ser como Joana após seus insights e entregas no que queria. Na sua liberdade em expressar sua essência. Em voar.

Como a águia livre que confia em sua grandeza, que está na força estrutural de suas asas, na sua destreza em ser quem é.

Não como um pombo de praça, que segue cego às lajotinhas de cimento com seus restos de pipoca ou outras guloseimas entregues intencionalmente ou caídas das mãos dos circulantes, visitantes da praça central.

Ah bem melhor ser águia livre. Do que pombo de praça aficionado por resto de pipoca ou qualquer outro resto.

Quero ser eu a puxar a todos. Quero ser muito mais inspiração. Quero me jogar da montanha. Ser mais minha águia, e cada vez menos cega ao meu piloto automático de pombo.

Ah!! Me deixe ser águia... me livre do pombo... permita-me ser águia. Compreendo sendo pombo. Consciência para o pombo, liberdade para águia.


Se solta pombo! Voa águia. Voa.

Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Email: cynthia@grandy.com.br

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