quinta-feira, março 22, 2018

Desigualdade na distribuição de médicos pelo País é marcante, aponta censo


O número de médicos no Brasil aumentou 23% em sete anos. No ano passado, estavam registrados 451.777 profissionais, ante 364.757 contabilizados em 2010, revela a Demografia Médica, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo financiada pelo Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional de Medicina de São Paulo.
Apesar da expressiva expansão num curto período de tempo, a desigualdade na distribuição dos profissionais pelo País é marcante. Enquanto o Distrito Federal tem 4,35 médicos por cada mil habitantes - a mesma média da Suíça -, o Maranhão oferta 0,87 médico para o mesmo grupo de habitantes. E em cidades com menos de 5 mil moradores, a razão média é ainda menor: 0,3 profissionais - uma taxa semelhante a de países africanos.
"O estudo deixa claro que os problemas de distribuição ainda estão longe de ser solucionados. A expansão de vagas não se traduz em facilitação de acesso", afirma o autor do trabalho, o professor da FMUSP, Mário Scheffer.
A média nacional de médicos é de 2,18 profissionais a cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2010, ano do primeiro censo, a média por habitante no País era de 1,91 por grupo de cada. "Não há uma proporção ideal. Isso varia de acordo com as necessidades de cada país, as características de cada região. Mas é claro que 0,87 médicos, como apontado no Maranhão, é um número de fato baixo", completou. O México, por exemplo, apresenta uma média de 2,3. A média de países da OCDE é de 3,4.
A desigualdade pode ser notada não apenas nas regiões do País, mas também quando se avalia capitais e cidades do interior. A maior parte dos registros de profissionais médicos em atividade está nas capitais. Quando se analisa apenas esse universo, a razão é de 5,07 médicos por mil habitantes. Com isso, quem mora nas capitais tem 3,9 mais acesso a profissionais médicos do que quem vive no interior, onde a proporção é de 1,28 profissionais por cada mil habitantes.
Para entidades médicas, a desigualdade na distribuição dos profissionais é fruto sobretudo da ausência de políticas públicas que estimulem a fixação dos profissionais. Entre os problemas apontados estão o de precariedade de emprego, a falta de acesso a programas de educação continuada e falta de condições adequadas de trabalho.

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