terça-feira, abril 03, 2018

Atividade humana já devastou 75% do solo


Um relatório divulgado pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês) apontou que a degradação do solo, motivada pela atividade humana, já alterou 75% da superfície terrestre do planeta. O índice que permanece livre de impactos substanciais causados pelo homem deve cair para 10% até 2050, segundo projeções do órgão ligado às Nações Unidas.
“Apenas algumas regiões nos polos, desertos e as partes mais inacessíveis das florestas tropicais permanecem intactas. A degradação da superfície terrestre da Terra pelas atividades humanas está levando o planeta em direção à sexta extinção em massa”, alertou o sul-africano Robert Scholes, um dos coordenadores do relatório temático sobre Degradação e Restauração de Terras Degradadas.
O documento foi elaborado com a colaboração de 45 países e mais de 3 mil fontes. Além disso, o relatório foi revisado por mais de 200 especialistas, e se tornou o estudo mais completo já realizado sobre o tema.
Degradação
A expansão não sustentável de áreas dedicadas à agricultura e à pecuária é um dos pontos que preocupou os especialistas, e que tende a piorar com a demanda crescente por comida e biocombustíveis. O consumo em crescimento e o aumento da população provocam a expansão não sustentável da agropecuária, da extração mineral e de recursos naturais.
Só em 2014, mais de 1,5 bilhão de hectares de ecossistemas naturais foram convertidos para a agropecuária. Terras agrícolas e pastagens agora cobrem mais de um terço da superfície terrestre do planeta.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) calcula que 95% dos alimentos para os humanos são produzidos de forma direta ou indireta nos solos.
Robert Watson, presidente da IPBES, alega que os danos causados pelo solo podem afetar nossa capacidade para produzir comida, degradar a qualidade da água e eliminar as superfícies produtivas.

“Até 2050, a combinação de degradação do solo com as mudanças climáticas vai reduzir a produtividade global de alimentos em 10%, e de até 50% em algumas regiões”, afirmou o italiano Luca Montanarella, que também coordenou o estudo.
A Tarde

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