domingo, abril 01, 2018

Qual é a importância de fazer consultas preventivas periódicas no seu dentista? - Elibel Carvalho


Há bem pouco tempo, tanto a odontologia quanto a medicina eram voltadas para o tratamento curativo das doenças. Felizmente esses conceitos mudaram.
Isso porque uma abordagem preventiva é muito mais inteligente. Não por acaso temos o dito popular de que “é muito melhor prevenir do que remediar”. Melhor, menos oneroso, menos dolorido, mais rápido e, acima de tudo, mais saudável.
Não somos profissionais de doença, tapadores de buraco, somos, sim, profissionais de SAÚDE. Por isso, devemos conscientizar os nossos pacientes da importância da terapia preventiva de suporte, que deve ser iniciada não só após os tratamentos curativos, mas, melhor ainda, antes destes.
O ato de ir periodicamente ao profissional para fazer prevenção recebe algumas denominações na literatura científica: terapia de suporte, tratamento de manutenção, acompanhamento longitudinal do paciente, manutenção periódica preventiva, terapia de manutenção, etc.
Como os próprios nomes sugerem, a prevenção pressupõe um acompanhamento minucioso do paciente, com estratégias voltadas para a manutenção preventiva da saúde integral, motivação para bons hábitos alimentares e de higiene, além de reforço das instruções acerca das técnicas de escovação e do uso correto do fio dental. Incluem-se, ainda, recomendações das mais diversas, como, por exemplo, quanto ao tipo de creme dental a ser utilizado (que pode mudar de acordo com a necessidade).
Esse tipo de acompanhamento também torna possível fazer diagnóstico precoce de quaisquer situações de doenças que possam ocorrer, de modo que sejam tratadas ainda em estágios iniciais,mitigando-se o risco de possíveis danos.
Pacientes com histórico de doenças, cárie ou complicações periodontais (doenças nos tecidos de suporte: osso e gengiva), possuem mais dificuldade para controlar a placa bacteriana devido a fatores anatômicos locais e são mais suscetíveis aos efeitos nocivos da placa em virtude de fatores imunológicos, genéticos e/ou hereditários.
Muitas pessoas tem dificuldade motora fina e, mesmo após orientação, não conseguem reduzir o biofilme microbiano a níveis aceitáveis. A idade avançada comumente interfere na habilidade motora. Assim, pessoas idosas geralmente apresentam maiores dificuldades.
Pacientes em tratamento ortodôntico (aparelho dentário), também são seríssimos candidatos à terapia de manutenção, visto que o aparelho dificulta sobremaneira o controle efetivo da placa bacteriana. Na grande maioria dos casos o ortodontista faz somente a manutenção ortodôntica e não a preventiva.
É importante ressaltar que a manutenção preventiva pode e deve ser aplicada em indivíduos que nunca apresentaram doença, pois o trabalho restaurador não é melhor que o dente natural.
Experiências clínicas indicam claramente que uma cuidadosa manutenção profissional pós-terapêutica é parte integrante do tratamento. Além disso, é o único meio de garantir a manutenção, por um longo período, dos efeitos benéficos da terapia odontológica.
Como seres humanos que somos, passamos por diferentes fases da vida, nas quais experimentamos uma gama de emoções positivas ou negativas. Essas experiências interferem diretamente na nossa rotina e nos desestimulam, inconsciente ou involuntariamente, para a manutenção dos nossos bons hábitos.
Estudos apontam que experiências como estresse, depressão, tensão social, luto, divórcio, solidão, uso de drogas, etc., nos influenciam negativamente de forma direta.
Portanto, o DIÁLOGO não só é importante como muitas vezes é o aspecto mais importante das visitas preventivas periódicas. O paciente precisa expressar suas dúvidas e incertezas, a fim de que eventuais correções de rumo em seu tratamento ou em sua prevenção sejam identificadas. Devem ser investigadas:
§  Alterações na história médica, como doenças sistêmicas ou a utilização de medicamentos, que podem causar, por exemplo, diminuição do fluxo salivar e, consequentemente, levar a um risco aumentado de se contrair cárie dentária.
§  Alterações comportamentais, como hábitos de higiene, fumo e eventos estressantes.
Esses episódios podem apontar para necessidades diferenciadas em uma consulta de manutenção.
O acompanhamento constante do paciente, portanto, com o controle da placa ou do biofilme microbiano pelo binômio paciente-profissional, é decisivo para o sucesso do tratamento a longo prazo.
Compartilhar com o paciente a manutenção de sua saúde não é só uma obrigação do profissional, mas é a expressão máxima de uma odontologia de promoção de saúde. Não há mais espaço para a antiga prática, que se limitava a administrar doença.
É inegável a importância da manutenção preventiva para se alcançar a saúde bucal. A todo paciente deve ser dada a oportunidade de usufruir de seus benefícios. Para tanto, é recomendado que se busque um profissional para a realização de acompanhamento periódico. Dessa forma, todos nós estaremos contribuindo para a construção de uma educação pragmática, objetiva e eficiente para a saúde bucal.

 *Elibel Carvalho é dentista, mestre em Periodontia, e especialista em Implantodontia.


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