terça-feira, maio 22, 2018

Em entrevista a emissora de rádio, a juíza aposentada Selma Arruda critica vazamento de decisão sobre fim de escolta policial e reafirma que vai recorrer


Em entrevista à Rádio Capital FM, nesta terça-feira (22-05-18), a juíza aposentada Selma Arruda manifestou insatisfação e preocupação com a decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, que lhe tirou a escolta policial que ela tinha para defesa dela e de seus familiares.

Selma, que é pré-candidata ao Senado, disse que além da retirada da escolta, o que mais a deixou indignada foi o fato da decisão ter se tornado público, sendo que o processo tramitava em sigilo.

“O que me espanta mais e o que me deixou mais triste com essa história não foi nem o fato de terem tirado o direito à segurança, foi que era um processo sigiloso e a retirada da segurança tornou-se pública, ou seja, todo mundo sabe que agora eu estou sem segurança”, disse.

Segundo a magistrada, agora que a decisão foi divulgada, ela está muito mais vulnerável do que já era, citando que consta na lista dos 40 juízes mais ameaçados do Brasil, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Qualquer bandido, qualquer ladrão, qualquer uma dessas pessoas que eu prendi, que eu condenei agora sabe que eu estou sem segurança. Isso é o que me deixa mais triste porque ainda que se tirasse, o fato de publicar acabou me tornando muito mais alvo, muito mais vulnerável à qualquer ação criminosa”, reclamou Selma.

A decisão da Comissão de Segurança do Tribunal de Justiça de Mato Grosso foi emitida na segunda-feira (21-05-18) e apontou que não se fazia mais necessária a escolta armada em razão de “não existir mais riscos à vida da magistrada” aposentada e de sua família, bem como ameaças “reais” identificadas.

A comissão apontou ainda que Selma descumpriu protocolos de segurança, usando a escolta para eventos políticos e fins particulares, em razão da “pública e notória” candidatura ao Senado. A comissão é formada pelo desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha e pelos juízes Maria Rosi Borba, Marcos Faleiros e Bruno D’Oliveira Marques, além do coronel Benedito Ferreira.

Conforme a magistrada, a suspensão é “desproporcional” ao trabalho feito nos 22 anos de atuação na Justiça Criminal no Estado. Selma atuou como juíza da Vara Contra o Crime Organizado da Capital e teve uma carreira marcada por julgar políticos corruptos e organizações criminosas, especialmente de membros da facção criminosa Comando Vermelho.
Ela lembrou o caso do juiz federal Odilon de Oliveira (PDT), pré-candidato ao Senado em Mato Grosso do Sul, que também atuou em ações de combate ao crime organizado e, após a aposentadoria, teve direito à manutenção de escolta policial por prazo indeterminado.

Além do juiz federal, Selma citou ainda que o próprio governador Pedro Taques (PSDB) também teve a escolta da Policia Militar do Estado durante as campanhas ao Senado Federal e depois ao governo de Mato Grosso em que concorreu.
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