segunda-feira, maio 21, 2018

Vamos falar de ego elevado. Você tem. Quer apostar? – Por Manuela Vidal*


Sabe aquele momento que você se entristece (ou enraivece) com alguém que não soube reconhecer algo que você fez? Seja lavar as louças, arrumar o quarto, elaborar uma planilha que otimizou bastante o tempo de execução de uma tarefa, oferecer uma solução nunca pensada para recuperar as vendas do negócio? Essa sensação de “injustiça” ou ainda “ingratidão” por parte da outra pessoa é alimentada por algo que temos, mas esquecemos que temos: o ego.
Segundo o dicionário Houaiss, o ego é um “nível psíquico criado pelas experiências do indivíduo e que exerce função de controle sobre o seu comportamento, sendo grande parte do seu funcionamento inconsciente”. Em outras palavras, o ego é a nossa personalidade, a qual, em boa parte das vezes, mostra-se sem que possamos controla-la.
Essa ausência de controle efetivo da nossa personalidade é bem eficiente em nos pregar peças. De repente, estamos exagerando uma situação ou sofrendo porque não fomos reconhecidos por determinada tarefa. E como, então, identificar os sinais de que o nosso ego é elevado e, principalmente, contornar as situações para que estejamos em equilíbrio? Nas próximas linhas, vou mostrar algumas situações que com certeza todos nós já passamos, as quais são reflexo do nosso ego elevado e, através de algumas dicas, é possível caminhar ainda mais para o nosso autoconhecimento.
O meu chefe não reconheceu o tempo que gastei em elaborar um relatório que ele não aprovou
Primeiro, é bom deixar claro que somos humanos, e a decepção faz parte do nosso “hall” de sentimentos. É comum nos decepcionarmos por algo que não aconteceu contrariando as nossas expectativas. Neste caso, nós vestimos a camisa da empresa, passamos horas, dias e noites fazendo um relatório que simplesmente foi reprovado pelo chefe. Se é comum essa decepção, por que então pode ser ego elevado? Porque muitas vezes o objetivo de realizar aquela tarefa é o reconhecimento que pode vir depois, a promoção, a condecoração em público, ou os tapinhas nas costas. Nós esquecemos que estamos exercendo o nosso trabalho, o que somos pagos para fazer, o que já havia sido combinado no momento que entramos na empresa. O foco tem que ser a qualidade do resultado, e não a qualidade do reconhecimento do chefe: este último é consequência. Procure entender o que o seu chefe deseja que contenha, no que foi solicitado, o prazo, a metodologia, o resultado. Lembre-se: o foco é o que ele quer, e não o que você quer. Se você fizer bem feito, será reconhecido, pode ter certeza.
Os meus colegas de equipe não agradecem à ajuda que sempre estou disposto(a) a dar
Você sempre para o que está fazendo para ajudar aos colegas que estão mais sobrecarregados que você. E então você faz uma tarefa para o seu colega super complexa, o resultado fica bem legal, e o seu chefe parabeniza... o seu colega! Injustiça, não? Não! Se você quer reconhecimento por uma atividade que não é sua, por que não pega ela para você? O seu colega certamente ficou aliviado por encontrar um parceiro nas horas mais difíceis, mas se você quer mesmo um agradecimento do seu chefe, que tal alinhar para que, a partir de agora, a atividade fique com você? E se você responder a esta pergunta com um “não, nem pensar mais atividades para mim”, então o seu ego está um pouco inflado, concorda?
Pessoas que eu realmente me importo não lembraram do meu aniversário
Atire a primeira pedra quem nunca se “importou” por não ter recebido uma ligação ou mensagem de uma pessoa especial no dia do seu aniversário (a minha melhor amiga não me ligou no meu aniversário de 18 anos e até hoje – mais de 10 anos depois! – falamos sobre isso). Poxa, mas como assim até isso pode ser ego elevado? Às vezes a gente espera que uma pessoa que gostamos se lembre do dia mais importante do ano para gente, por assim dizer. Mas, você deu atenção a esta pessoa neste último ano? Você ligou para saber como ela estava, saiu para trocar ideias ou mandou uma mensagem como quem não quer nada para dizer que estava pensando nela? Muitas vezes, nós não nos damos conta de que nos afastamos de pessoas que amamos, e queremos que ela nos ame de volta na mesma intensidade. Quem não é visto, não é lembrado, então é razoável que a pessoa não se lembre desta data. É hora de olhar para si mesmo e identificar se o ego está falando mais alto que a atenção que você dá.
Os donos da empresa não valorizam que eu cuido da equipe quando eles não estão
Sabe quando você assume, naturalmente, a liderança da equipe quando os donos da empresa ou chefes diretos se ausentam? E você sente orgulho porque conseguiu colocar em ordem algumas situações pendentes, alguma ruptura aparente, alguma atividade inacabada? E então os chefes retornam e nem sequer identificam as mudanças. É de se chatear, não é mesmo? É, tem razão. Mas eu gostaria de resumir aqui como podemos “vencer” o nosso ego nas situações mencionadas e em inúmeras outras. O alinhamento de expectativas é a melhor forma de você conduzir a sua vida profissional e pessoal. Converse com as pessoas sobre o que e como você pode contribuir para fazer um trabalho e/ou atividade da melhor forma, e deixe claro de como espera o reconhecimento. Neste caso, você pode conversar com os chefes de que gostaria de assumir “o posto” na ausência deles para que tenha mais visibilidade dentro da empresa. Assim, eles vão reparar. Assim como todas as outras pessoas dos casos citados.
Espero que eu tenha mostrado como podemos desinflar o nosso ego. Vocês viram que é possível, não é mesmo? Desejo bom aproveitamento das lições e boa sorte!

* Manuela Vidal é administradora especializada em Gestão de Pessoas e consultora em Gestão Empresarial

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