domingo, julho 15, 2018

Lares dependentes da renda de aposentados cresceram 12% em um ano e os mais pobres dependem mais dos benefícios dessas pessoas


Cerca de 10,8 milhões de brasileiros dependem da renda de idosos aposentados para viver. Só no último ano, o número de residências em que mais de 75% da renda vem de aposentadorias cresceu 12%, de 5,1 milhões para 5,7 milhões.

Esses números foram apontados por estudo feito pela LCA Consultores a pedido do jornal O Estado de S. Paulo. O estudo considera domicílios onde moram ao menos uma pessoa que não é pensionista ou aposentada, e que abrigam um total de 16,9 milhões de pessoas, incluindo os próprios aposentados.

Essa dependência sempre foi mais forte no Nordeste, que nos governos do PT viu benefícios como aposentadorias e Bolsa Família crescerem mais que a renda do trabalho. O desemprego, no entanto, está levando mais lares, em outras regiões do País, à mesma situação. No Nordeste, a fatia da Previdência na renda das famílias passou de 19,9% em 2014 para 23,2% em 2017. No País, foi de 16,3% para 18,5%, aponta a consultoria Tendências.
"À medida que o mercado de trabalho demora para se recuperar, as aposentadorias acabam ganhando espaço no orçamento familiar", diz Cosmo Donato, economista da LCA e responsável pelo estudo.
Nos domicílios em que mais de 75% da renda vem da aposentadoria, o número de desempregados é quase o dobro da média do País.
Nas casas em que há superdependência da renda dos aposentados, a taxa de desemprego é quatro vezes maior que a média nacional, segundo dados da LCA Consultores com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), do IBGE.
Esse não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Na Espanha, no período mais agudo da recessão recente, economistas chegaram a chamar os idosos espanhóis de heróis silenciosos da crise, por bancarem financeiramente filhos e netos desempregados e evitarem, em certa medida, um colapso social. Familiares chegaram a tirar aposentados de asilos para garantir uma renda.
A pesquisa mostra que a superdependência de pensões e aposentadorias cresce mais entre os mais pobres no Brasil. De 2016 para 2017, o número de domicílios em que esses benefícios respondem por mais de 75% da renda avançou 22%, para quase 942 mil residências, entre as famílias da classe E, que ganham até R$ 625 por mês. Considerando todas as classes, a alta chega aos 12%.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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