sábado, julho 28, 2018

Lei não pode ‘transigir’ por conveniências, diz general


O general de Exército Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, comandante militar do Sudeste, citou a proximidade das eleições para afirmar na sexta-feira (27-07-18) que "a lei tem de ser cumprida, independentemente de quem está sendo atingido por ela". "Não podemos transigir com as leis vigentes, buscando atender a interesses pessoais ou até mesmo político-partidários. Todos nós, militares ou civis, estamos sob o jugo do império da lei", disse na solenidade do aniversário do Comando Militar do Sudeste.
A 20 dias do início da campanha eleitoral, o pronunciamento do general vai na mesma linha da manifestação feita pelo comandante da Força, o general Eduardo Villas Bôas, na véspera da análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de um habeas corpus apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato.
Em abril, Villas Bôas afirmou no Twitter que compartilhava "o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição".
A fala de Ramos indica preocupação com eventual revisão pelo Supremo da autorização para a prisão após condenação em segunda instância. Mesmo preso e potencialmente atingido pela Lei da Ficha Limpa, Lula é mantido como pré-candidato à Presidência pelo PT.
Ramos discursou de improviso na cerimônia. "Na preparação da cerimônia, eu disse; ‘não vou escrever nada, quero falar com o coração’. Os senhores que estão em forma são descendentes de heroicos militares que no passado defenderam os ideais democráticos", disse o general. Era o começo de um pronunciamento sobretudo político. "As tropas do Comando Militar do Sudeste sempre nortearam os seus valores, como diz o general Villas Bôas, pela legalidade, pela legitimidade e pela estabilidade."
Próximo do comandante do Exército, Ramos citou o chefe três vezes em seu discurso, uma fala que, segundo auxiliares, era dirigida à tropa bem como à população. "Estamos nos aproximando de um período muito importante para o nosso País, o das nossas eleições. Esse é o regime democrático em que nós temos de respeitar o resultado das urnas. Todos nós, do soldado ao general mais antigo", continuou o general antes citar o comandante do Exército pela última vez e se encaminhar para o discurso de nove minutos.

"Nosso comandante, o general Villas Bôas afirma: ‘Não há atalho fora da democracia ou da nossa Constituição.’ Não temos lado. Quando me perguntam, general, qual o seu partido, qual o seu candidato? Eu digo: meu partido é a Pátria; meu candidato é o Exército brasileiro."
 

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