quinta-feira, julho 05, 2018

Ministério da Saúde anuncia meta de eliminar hepatite C até 2030


Em meio às queixas de associações sobre falta de medicamentos para atender novos pacientes, o Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (05-07-18) o lançamento de um plano para eliminar a hepatite C até 2030. A estratégia prevê a redução das etapas para o diagnóstico da doença e a ampliação da testagem em grupos considerados prioritários (como pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes que fazem diálise, usuários de drogas e bebês de mães que têm hepatite C).
A previsão é atender 50 mil pacientes por ano até 2024 a partir do ano que vem. Este ano, seriam entregues tratamentos para 19 mil pacientes. O quantitativo para 2018 agora anunciado pelo ministério, no entanto, é bem menor do que havia sido divulgado em 2017. No ano passado, a pasta já havia firmado o compromisso de ofertar pelo menos 50 mil tratamentos anuais, começando em 2018.
A diretora do Departamento de IST, HIV/aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, atribui a mudança do cronograma e a redução das metas para este ano ao atraso na publicação de um documento que seria indispensável para o início do processo de compras, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas. O manual, com indicações de como deve ser feito o tratamento, foi lançado em março.
Integrante do grupo Otimismo, de apoio à pessoa com hepatite, Carlos Varaldo afirmou haver um número considerável de pacientes que têm o diagnóstico de hepatite C e indicação de tratamento, mas que, até agora, não receberam os remédios necessários. "Isso gera uma expectativa enorme. Se acabaram os estoques de medicamentos, por que médicos e pacientes não foram avisados?" pergunta. Hoje todas as pessoas com hepatite C têm indicação de tratamento, independentemente do grau de lesão no fígado.
Em uma carta enviada ao ministro, a associação pondera ainda que a aquisição deveria ser feita de forma rápida, sob o risco de, no próximo ano, o orçamento para a compra ser reduzido.

Adele afirma que uma compra de 8 mil tratamentos foi feita para atender à demanda imediata e que os medicamentos deverão ser entregues em um prazo de um mês. Ela assegura, ainda, que um processo de compra para 50 mil tratamentos será iniciado em breve. Desse montante, 20 mil seriam entregues este ano e o restante, em 2019.

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