sexta-feira, agosto 31, 2018

Desaparecidos no Brasil chegam a mais de 786 mil em dez anos, diz Cruz Vermelha


A dimensão do desaparecimento de pessoas no Brasil chama a atenção de entidades internacionais e, em levantamentos iniciais, o fenômeno dá indícios de superar a situação na Síria ou mesmo em cinco décadas de conflitos na Colômbia.
Com base em um estudo realizado no Brasil, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) indicou que foram registrados um total de 786.071 registros de desaparecimentos entre 2007 e 2017. Apenas no ano passado, foram registrados 82.684. No Estado de São Paulo, foram mais de 25 mil no ano passado.
A entidade com sede em Genebra admite que não existiam dados consolidados, centralizados ou atualizados relativos ao número de pessoas desaparecidas no País. Por isso, ela facilitou um primeiro levantamento, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e publicado em 2017.
Na classificação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, pessoas desaparecidas são "indivíduos sobre os quais as suas famílias não têm notícias ou alguém que, com base em informação confiável, que foi dado como desaparecido". "As circunstâncias do desaparecimento podem ser diversas: um conflito armado - internacional ou não internacional - outras formas de violência, distúrbios internos, desastres naturais, migração entre outras", indica a entidade.
Ainda segundo a pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 17% dos brasileiros têm algum amigo, parente ou conhecido desaparecido.
Os números se contrastam com outras iniciativas realizadas por entidades internacionais e que também revelaram números importantes de desaparecimentos em países em conflito armado. Segundo a Anistia Internacional e a Rede Síria de Direitos Humanos, cerca de 75 mil pessoas desapareceram na Síria entre 2011 e 2016.
Na Colômbia, o Centro de Memória Histórica apontou que, entre 1958 e 2017, um total de 82 mil pessoas desapareceram, número equivalente ao do Brasil apenas em 2017.

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