quinta-feira, agosto 16, 2018

Ex-secretária confirma situação de nepotismo e diz ter sido um dos motivos para sua saída da Saúde de Cuiabá


Em oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, realizada nessa quarta-feira (15-08), a ex-secretária de Saúde de Cuiabá, Elizeth de Araújo, afirmou que a indicação de contratação dos dois irmãos do secretário-adjunto de Saúde, Milton Correa da Costa, foi feita enquanto ainda estava a frente da pasta. Contudo, salientou, pelo fato de discordar do processo, tal situação teria sido um dos “primeiros desgastes” enfrentado por ela e sua equipe técnica.

“Eu não autorizei a contratação, deles (irmãos do Milton) e dos demais casos que tínhamos a informação de que a pessoa tinha algum parente na pasta”, disse Elizeth, afirmando que a contratação dos mesmos ocorreu posterior a sua saída da Secretaria.

Diante desse depoimento, o presidente Abilio Junior (PSC) considerou que uma das suspeitas levantadas pelas diligências da CPI da Saúde foi confirmada. “Diante disso, vimos que foi confirmada a situação de nepotismo e que nosso trabalho investigativo tem dado resultado.. Agora, vamos seguir com as oitivas e ao final encaminhar o resultado do trabalho ao Ministério Público para que tome as providências cabíveis”, disse Abilio.

Sobre a questão da falta de medicamentos, a ex-secretária explicou que essa problemática tem sido ocorrido de forma reiterada de outros governos. “Prever a falta é possível. Mas requer um processo que passa por planejamento, programação, licitação, aquisição, empenho, orçamento. E hoje, a Prefeitura não tem orçamento para isso. Não há recurso”, disse Elizeth.

Dessa forma, explicou Elizethe, que a não realização de uma licitação para aquisição de medicamentos e materiais de insumo seria em razão da dificuldade encontrada pela pasta da urgência e necessidade de atender a demanda, bem como a falta de recurso. “Tivemos por exemplo, de realizar uma dispensa de licitação na ordem de R$5 milhões, para suprir a falta de medicamentos e materiais de insumo e poder atender a população e não agravar ainda mais a crise na saúde”, disse a ex-secretária.

Em relação à possibilidade de haver ingerência política dentro da pasta, a ex-secretária disse que tal prática poderia ser considerada, entretanto, não havia qualquer “pressão”, apenas apontamentos ou questionamentos sobre alguma postura adotada por ela e sua equipe. “Recebíamos currículos de pessoas em diversas situações. Recebíamos ligação de uma ou outra autoridades para verificar o porquê do não pagamento de algum fornecedor. Mas nós explicávamos ao Prefeito a falta de recurso, que tínhamos prioridades de pagamento e que, para contratação, buscávamos seguir o critério de capacidade técnica e a necessidade de realização de um processo seletivo para a saúde”, explicou.

Ascom

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