sábado, agosto 18, 2018

Primos do governador recebem parecer contrário de soltura da Procuradora-Geral da República e continuam presos


Raquel Dodge, Procuradora-Geral da República, deu ontem (sexta-feira 17-08-18) parecer contrário ao pedido da defesa dos irmãos Paulo Taques e Pedro Jorge Taques, primos do governador José Pedro Gonçalves Taques, para que a liberdade concedida ao empresário Valter José Kobori seja extensiva a eles e com pedido idêntico ao deputado estadual Mauro Savi (DEM).

Paulo, Pedro e Savi foram presos no dia 9 de maio na execução da Operação Bônus, 2ª fase da Operação Bereré. A operação foi executada pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco-Criminal).

Os três continuam presos e são acusados de integrar o esquema de desvios de recursos operado no Departamento de Trânsito (Detran-MT).

No argumento para o pedido de extensão, a defesa dos três acusados aponta que o ministro do STF, Dias Toffoli, concedeu a soltura de Kobori em 26 de julho sob a alegação de que as acusações não justificam, por si só, a decretação da prisão cautelar.  Desse modo, os defensores entendem que há legalidade da extensão da soltura do trio uma vez que, assim como Kobori, os três tiveram prisão decretada pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ), José Zuquim Nogueira, sob as mesmas acusações.
A defesa alega também que a prisão foi decretada apenas com base nos depoimento dos colaboradores da justiça, isolada de demais elementos probatórios, de modo que os proprietários da EIG Mercados, José Ferreira Gonçalves Neto e José Henrique Ferreira Gonçalves, fizeram afirmações “inverídicas” para obterem benefícios do instituto da colaboração premiada.
Ao analisar o caso, a procuradora Raquel Dodge lembrou que já interpôs recurso contra a decisão do STF que determinou a soltura de Kobori por entender que tanto o empresário, quanto o trio, participaram ativamente do esquema, evidenciando o poder e a influência política dos acusados.
Conforme as investigações, Kobori foi o responsável por acordar com Paulo Taques a continuidade do esquema no Detran na atual gestão do Governo do Estado (a partir de janeiro de 2015). O pagamento da propina seria feito via escritório de advocacia que Paulo Taques tem em sociedade com seu irmão, Pedro Zamar.
Já o deputado estadual Mauro Savi era considerado o líder da organização criminosa por ter indicado os presidentes do Detran durante os períodos do esquema.

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