sexta-feira, setembro 07, 2018

Maçonaria, apoio à esquerda e à redução da maioridade penal - o perfil do acusado de esfaquear Bolsonaro


Críticas a Jair Bolsonaro, teorias sobre a maçonaria, fotos em manifestações de esquerda e projetos de lei criados por ele mesmo. Assim é o perfil de Adelio Bispo de Oliveira na rede social Facebook.

Na tarde desta quinta-feira, Oliveira foi preso em flagrante depois de ter sido apontado pela polícia como principal suspeito de ter esfaqueado o presidenciavel pelo PSL em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Segundo a polícia, ele confessou o crime. A BBC News Brasil não conseguiu contatar seu advogado.

Adelio é solteiro, de 40 anos, e morador de Juiz de Fora. Ele foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014. Segundo o TSE, a filiação foi cancelada "a pedido do eleitor".
Seu perfil no Facebook é recheado quase exclusivamente por publicações sobre política e questões nacionais.
Nos últimos meses, Oliveira fez diversas críticas a Bolsonaro, a quem chamava de "babaca" e a seus apoiadores, que ele classificou como "analfabetos". "A aprovação de Bolsonaro é maior entre os menos estudados, ou seja só analfabetos e semi analfabetos votam em Bolsonaro", escreveu em 18 de julho.
Segundo a polícia, ele afirmou que atacou o candidato por "divergências pessoais" e que não era ligado a nenhum partido. Também afirmou ter agido "a mando de Deus".
Em 31 de maio, ele publicou imagens em que participava de uma manifestação com críticas ao presidente Michel Temer (MDB). Em outras postagens, ele atacava a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Aparece em uma imagem ao lado de uma manifestante que segurava uma placa com "Renuncia Temer". Em outra, um manifestante segura um cartaz com a frase "Políticos Inúteis". Em uma terceira imagem, dois manifestantes estavam vestidos com camisas a favor da soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.

Temer também é duramente criticado na página de Oliveira. Em um post, ele diz que o presidente pretendia privatizar a casa da moeda. "
Textos confusos do suspeito, em várias ocasiões, tentavam ligar políticos e problemas sociais do Brasil à maçonaria. "Até 2012, o índice de assassinatos em Montes Claros era terrível, teve queda de cerca de 50% depois que eu comecei a acusar a maçonaria de estar por trás deste genocídio", escreveu em 9 de julho.
Em de 18 de agosto de 2014, ele se posicionou ser a favor da redução da maioridade penal para 16 anos, projeto que estava em discussão na época.

"Poderiam colocar os governantes do Brasil no paredão, e, claro, isso para a polícia seria bom, pois (a polícia) já está cansada de prender hoje, e a justiça soltar amanhã", finalizou.
Também em 2014, Oliveira fez uma série de postagens com projetos de leis criados por ele mesmo. Um deles era o pedágio militarizado: "Como no caso da fronteira brasil Paraguai, Brasil, Argentina, Venezuela etc... Porém, como eu ja havia falado também sobre o uso definitivo da engenharia do exército na construção ou manutenção das rodovias federais, imagino que o proprio exército é (sic) capaz de explorar o pedágio em todas as rodovias federais do Brasil".
Em outro post, de 8 de julho de 2014, ele diz que é perseguido por um ex-prefeito de Uberaba. "Pelas leis maçônicas, ele é que deve ser beneficiado, já que foi por causa dele que estes partidos políticos tomaram conhecimento sobre mim e meus projetos. Nada de errado até aí, se eu e ele fôssemos amigos, mas este canalha mandou pistoleiros atrás de mim, bem como pediu minha cabeça em um tribunal da maçonaria".

Também na rede social, Oliveira escreveu a seguinte frase no item sobre seu perfil: "Não importa em que partido tu militas, nem a ideologia que acreditas ou fé que tu praticas, se você tens prazer no triunfo da Justiça então somos irmãos!!!"
Fonte: BBC News Brasil

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