segunda-feira, outubro 08, 2018

Tempo gasto em frente a telas afeta desenvolvimento de criança, diz estudo


O tempo que as crianças passam em frente às telas nem sempre é calculado pelas famílias, mas desperta a atenção de cientistas e médicos. Uma pesquisa recente mediu o número de horas que meninos e meninas de 8 a 11 anos ficam em celular, TV e videogames. O estudo, publicado na revista Lancet Child & Adolescent Health, concluiu que só 37% das 4,5 mil crianças americanas analisadas usam os aparelhos por até duas horas diárias.
Os cientistas também mediram o desenvolvimento cognitivo das crianças em áreas como linguagem, memória e atenção - então, cruzaram com dados sobre tempo de tela. "Independentemente do conteúdo, limitar o tempo recreativo de tela de uma criança a menos de duas horas está positivamente associado à cognição", disse ao jornal O Estado de S. Paulo Jeremy Walsh, do Hospital Infantil do Leste de Ontário e um dos autores do estudo.

A pesquisa não estabeleceu relação de causa entre cognição e o uso das telas, mas, segundo especialistas, está cada vez mais claro o impacto do abuso dos aparelhos no desenvolvimento. "A criança precisa interagir com objetos reais (brinquedos e pessoas)", diz a pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Ana Lúcia Meneghel, que começou a estudar o tema após ver uma cena que a intrigou. "Uma criança em frente a um aquário mexia os dedinhos para o peixe aumentar." O exagero, diz, pode causar atraso na construção de noções de localização, medida e estimativa.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças de cerca de 09 anos não devem usar as telas por mais de duas horas diárias. Já para as de 2 a 5 anos, o rigor é maior: até uma hora. E bebês com menos de 2 anos não deveriam ter contato.
"Quanto mais tempo de tela, menos exposta a criança vai estar a outras experiências importantes para construir sua arquitetura cerebral", diz Liubiana de Araújo, presidente do Departamento Científico da Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da SBP.
Para Andréa Jotta, do Laboratório de Estudos de Psicologia e Tecnologias da Informação e Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), os equipamentos não são prejudiciais em si, mas uma "ferramenta a mais para lidar com o mundo", que exige acompanhamento dos pais. "Eles têm de educar dentro e fora, acompanhar o crescimento da criança com as telas."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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