segunda-feira, novembro 26, 2018

Contato com o ar poluído pode levar à obesidade e ao diabetes, diz estudo





Nem sempre a culpa da obesidade está dentro do prato. Essa epidemia — que afeta 13% dos adultos com mais de 18 anos e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), vem crescendo de forma alarmante entre as crianças — pode estar ligada a outro mal do século: a poluição. Um estudo recente conduzido por pesquisadores da China detectou forte associação entre a exposição a partículas poluentes e o risco de aumento de peso.



Os autores do trabalho alertam que, como o ar das cidades está cada vez mais contaminado, pode-se esperar um cenário ainda mais grave. Embora o estudo tenha sido feito com animais de laboratório, Junfeng Zhang, professor de saúde ambiental da Universidade de Duke que realizou o trabalho em Pequim, acredita que os resultados possam ser estendidos a humanos.



Nos testes, os cientistas expuseram grupos de camundongos fêmeas e gestantes a dois tipos de ambiente: em um deles, o ar circulante era o mesmo respirado nas ruas de Pequim, a 10ª cidade mais poluída do mundo, segundo a OMS; no outro, filtros absorviam as partículas poluentes. Para ter certeza da influência dos agentes tóxicos sobre a obesidade, os animais receberam rigorosamente o mesmo tipo de alimentação.


Não foi preciso esperar muito para observar os efeitos da poluição sobre o peso dos animais. Em 19 dias, além de mais pesadas, as fêmeas expostas ao ar de Pequim apresentavam taxas de colesterol e triglicérides mais altas que a do grupo de controle. Além disso, os exames de resistência à insulina, um precursor de diabetes, estavam elevados.

As crias das cobaias também sofreram os efeitos da poluição sobre o metabolismo. Com três semanas de vida, pesavam um pouco mais que as outras. Contudo, aos dois meses de idade, apresentavam sobrepeso, mesmo comendo ração idêntica. “Esse é um claro sinal do efeito duradouro da poluição sobre as partículas ambientais”, observa Zhang, principal autor do estudo, que foi publicado no Faseb, o jornal da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental.

O biólogo explica que, ao analisar tecidos e órgãos internos das cobaias, observou-se um aumento de inflamações, processo que está associado a diversas doenças, da obesidade ao câncer. O organismo dos animais expostos à poluição também apresentava mais estresse oxidativo sistêmico, acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos e lesões nos pulmões e brônquios. “As partículas poluentes que estão na atmosfera desencadearam mudanças no metabolismo, elevando os depósitos de gordura e desregulando o funcionamento do sistema endócrino do corpo como um todo, mesmo sob um regime alimentar balanceado. Isso é muito preocupante, porque estamos enfrentando uma grave crise de sobrepeso e obesidade no mundo ao mesmo tempo que nossas cidades estão extremamente poluídas”, diz o cientista.

Fonte: jornal da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental

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