sexta-feira, novembro 09, 2018

Desdobramento da Lava Jato prende Neri Geller, dono e executivos da JBS, 3 advogados e o vice-governador de Minas


310 policiais federais atuam nesta sexta-feira (09-11-18) no cumprimento de execução de mandados na Operação Capitu. A operação cumpre  63 mandados de prisões e buscas e apreensões em Mato Grosso,  Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraíba. Somente em Mato Grosso, foram cumpridos um mandado de prisão temporária em Rondonópolis e dois em Lucas do Rio Verde, em uma casa e num posto de combustíveis.  

Todas as ações em Mato Grosso estão relacionadas a pessoas ou propriedades ligadas ao deputado federal e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Neri Gueller. Ele é acusado de participação ativa em uma organização criminosa que movimentou ao menos R$ 37 milhões dos cofres públicos.

O Inquérito foi instaurado em maio deste ano, baseado em declarações prestadas por Lúcio Bolonha Funaro, sobre supostos pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no Mapa em 2014 e 2015.   

A Operação Capitu é desdobramento da Lava-Jato e foram detidos, além do deputado federal eleito Neri Geller (PP), o dono da JBS, Joesley Batista, o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (MDB), além de outras 7 pessoas.

O grupo dependia de normatizações e licenciamentos do Mapa e teria passado a pagar propina a funcionários do alto escalão do ministério em troca de atos de ofício, que proporcionariam ao grupo a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado. 

Segundo informações da PF, o grupo teria financiado ilegalmente a campanha de um deputado federal para a presidência da Câmara dos Deputados em troca de interesses corporativos. O valor utilizado para o financiamento seria de R$ 30 milhões. A PF revelou que uma das maiores redes de supermercado do país também teria integrado a engrenagem de lavagem de dinheiro oriundo do esquema, repassando aos destinatários finais os valores ilícitos em dinheiro vivo e em contribuições “oficiais” de campanha.

Os envolvidos são: Antonio Andrade, vice-governador de Minas e ex-ministro da Agricultura de março a dezembro de 2014 - Joesley Batista, dono da JBS  - Ricardo Saud, executivo da JBS  - Demilton de Castro, executivo da JBS     - João Magalhães, deputado estadual pelo MDB de MG  - Neri Geller, deputado eleito pelo PP de MT   - Rodrigo Figueiredo, ex-secretário de Defesa Agropecuária  - Mateus de Moura Lima Gomes, advogado  - Mauro Luiz de Moura Araújo, advogado - Ildeu da Cunha Pereira, advogado

Todos os acusados estão indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentre outros. Caso haja condenação, as penas máximas poderão variar entre 3 e 120 anos de prisão, proporcionalmente à participação de cada investigado. 

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