quarta-feira, novembro 28, 2018

Especialista diz que redução de açúcar nos alimentos é pontual e precisa de complementos


Associações produtoras ligadas à indústria dos alimentos acordou com o Ministério da Saúde, através da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma redução gradativa na quantidade de açucar em seus produtos. A proposta é reduzir até 33,8% do açúcar em refrigerantes, até 32,4% para bolos, e até 10,5% para os achocolatados.

Apesar dos percentuais expressivos divulgados pelo governo federal, a redução atinge de forma distinta cada marca e produtos bastante conhecidos do consumidor não necessariamente precisarão reduzir a concentração do ingrediente.

A medida, na visa de especialistas, é um avanço, mas é pontual. "O Brasil é o quarto país que mais consome açúcar no mundo. Foi uma tentativa do governo de controlar, assim como ele tentou com o sal também. A redução equivale a 1,5% da ingestão total de açúcar para as pessoas, então, se a gente pensar ainda é pouco", afirma o endocrinologista Renato Zilli, do hospital Sírio Libanês, as metas são "um começo".

O acordo busca contribuir no combate a doenças associadas ao consumo do açúcar e a obesidade. Os dados mais recentes, de setembro deste ano, apontam que 22% da população é obesa. O brasileiro, segundo comenta o ministério, consome 50% a mais do que a recomendação da Organização Mundial da Saúde – tem uma média de ingestão de 80 gramas de açúcar por dia.

A meta é chegar a uma redução de 144 mil toneladas de açúcar nos próximos 4 anos em bolos, misturas para bolos, produtos lácteos, achocolatados, refrigerantes, e sucos, entre outros produtos

As associações se comprometem a realizar estudos para avaliar a possibilidade de uma nova programação para a redução gradual do açúcar nos quatro anos seguintes a 2022. Elas também devem avaliar a inclusão de novas categorias para o projeto com base em evidências científicas.

O acordo diz, também, que não haverá transferência de recursos por meio do termo de compromisso. Cada órgão e empresa deverá arcar com as próprias despesas.

 

Cada produto disponível no mercado por categoria tem uma quantidade diferente de açúcar. O ministério divulgou a porcentagem máxima que poderá ser reduzida. No caso dos refrigerantes, cerca de 30%.

"Além da redução do açúcar dos alimentos, seria importante reduzir o preço dos alimentos mais in natura. Temos que ter um aumento da oferta para as pessoas dos produtos realmente saudáveis", disse o endocrinologista Renato Zilli.

Fonte: G1
 

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