sexta-feira, novembro 23, 2018

Ex-guarda-costas de Chávez que lavou US$ 1 bilhão em propina vira 'delator nº 1'


O homem que por anos foi a garantia de segurança de Hugo Chávez hoje é o grande trunfo de investigadores americanos para comprovar a corrupção na Venezuela. Detido nos EUA no ano passado, Alejandro Andrade é considerado peça-chave num inquérito internacional que busca dinheiro desviado pelo chavismo.
Na terça-feira ( 20-11-18) a Justiça dos EUA revelou a existência de um esquema ilegal de câmbio que movimentou subornos de mais de US$ 1 bilhão na Venezuela, hoje governada por Nicolás Maduro. Para que o sistema funcionasse, a corrupção passou por Andrade, catapultado do posto de guarda-costas para o de chefe do Tesouro Nacional.
A Justiça americana prendeu Andrade no final de 2017 e fechou com ele um acordo de delação premiada. Permitiu que ele permanecesse em prisão domiciliar, mas exigiu colaboração total.
Além de devolver avião, cavalos, relógios de luxo e propriedades, o venezuelano deu informações que levaram os americanos a abrir inquéritos contra pelo menos 20 diretores e ex-dirigentes da PDVSA, a estatal do petróleo da Venezuela.
A Justiça americana acredita que, com as informações de Andrade, pode descobrir quem eram os principais beneficiários do esquema de corrupção.
O processo nos EUA revela dezenas de transferências de milhões de dólares entre o banco HSBC, na Suíça, e a aquisição de bens de luxo no mercado americano. Em março de 2013 foram transferidos da Suíça para os EUA cerca de US$ 281 mil para a compra de um barco. No mesmo ano, foram gastos US$ 1 milhão para instalar um sistema de segurança na casa de Andrade.
Os investigadores suspeitam que o uso do banco na Suíça não é uma coincidência. A partir de 2005, o governo de Chávez fechou um acordo para que a instituição financeira em Genebra fosse a gestora do Tesouro. Em 2007, Andrade passou a ocupar o cargo e a ter autoridade sobre as contas secretamente mantidas na Suíça. Estima-se que essas contas possam ter acumulado US$ 14 bilhões.
Sua gestão no Tesouro Nacional foi alvo de duras críticas. A oposição o acusava de negociar com empresários o acesso ao mercado de câmbio em troca de propinas milionárias. Ainda em 2008, em audiência parlamentar, Andrade foi denunciado por ter montado o esquema financeiro com a compra de papéis da dívida de países como Bolívia e Argentina. Ainda em 2009, agências reguladoras americanas passaram a investigar as transações do Tesouro venezuelano.
Parte das suspeitas foi confirmada nesta semana pela Justiça americana, que indiciou dois empresários por pagamentos que movimentaram US$ 1 bilhão.
Andrade deixou o Tesouro em 2010 e passou a presidir o Bandes, o principal banco estatal venezuelano. O governo lhe fornecia uma unidade da Guarda Nacional Bolivariana para que fizesse a proteção permanente de sua família e de sua casa.
 

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