quarta-feira, novembro 21, 2018

Psoríase: respeito também deve ser sentido na pele - Drª. Cláudia Costa


O mês de outubro foi marcado por várias datas com referência às doenças reumatológicas, com a finalidade de conscientização, divulgação e alerta à população, da mesma forma em que ocorre com o Outubro Rosa para a Ginecologia e agora com o Novembro Azul com a Urologia.
O dia 25 de outubro é a data marcada todos os anos para reforçar o Dia Mundial da Psoríase. A pergunta é: porque um Reumatologista vai comentar sobre uma doença de pele? Exatamente porque se trata de uma doença sistêmica e que vai muito além da pele.É complexa e com repercussões variadas na qualidade de vida do paciente. A falta de informação muitas vezes leva ao preconceito e sofrimento.
Na verdade, pode-se falar em Doença Psoriásica, uma condição inflamatória, crônica e recorrente, que atinge pele, mucosas, unhas e articulações, podendo ser acompanhada de Síndrome metabólica (explicarei a seguir), ansiedade e depressão. As lesões de pele são caracterizadas por vermelhidão, descamação, são bem delimitadas, por vezes pruriginosas, localizada mais comumente em tronco, nádegas, couro cabeludo e regiões articulares dos membros (como cotovelos e joelhos). A doença é mais comum na raça branca, em geral os sintomas se iniciam após os 20 anos de idade.
Quando há envolvimento articular denominado-se Artrite Psoriásica. No Brasil estima-se a prevalência de 1,33 % da população geral, sendo que deste número, 10 a 30 % terão envolvimento articular, em geral os sintomas articulares aparecem após um tempo médio de 10 anos de doença cutânea.
As manifestações musculoesqueléticas são muito variáveis, o sintoma mais frequente é a artrite (inflamação) em mãos, punhos, joelhos, coluna com um grande potencial de destruição articular.
A síndrome metabólica é caracterizada por um conjunto de problemas no metabolismo que resulta em obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia e diabete melitus. Todas estas alterações associadas aumentam fatores de risco para doenças cardiovasculares ( infarto do miocárdio, AVC), aumentando a capacidade de adoecimento das pessoas e a mortalidade.
O principal diagnóstico diferencial da Artrite Psoriásica é a Artrite Reumatóide e as Espondiloartrites como a espondilite anquilosante.
O tratamento varia conforme o tipo de acometimento, gravidade e resposta individual do paciente. Existe uma variedade de tratamentos disponíveis tanto orais, venosos ou subcutâneos (os imunobiológicos). A modificação dos fatores de risco e a supressão da inflamação diminuem a frequência e a gravidade dos eventos cardiovasculares.
Por se tratar de uma doença complexa, o acompanhamento deve ser multidisciplinar, o esclarecimento sobre a doença, suas consequências se não tratadas vai muito além das lesões de pele ou de estética.
Drª. Cláudia Costa é dermatologista
 

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