domingo, dezembro 23, 2018

Espiritismo Consolador - Caroline Secundino Treigher


Escolhi este tema como uma forma de agradecer ao Espiritismo as tantas bênçãos que dele recebi. Ao escrever aqui, partilho um tesouro que meus pais me deram quando eu ainda era um bebê. Diferentemente de muitas pessoas, não procurei o Espiritismo porque estava sofrendo, nem mesmo por sentir curiosidade. Simplesmente nasci num lar espírita.

Bem, isto foi muito bom, mas vou lhe confessar: receber algo tão precioso, quando não se sabe ainda avaliar o quanto é precioso, pode ser perigoso.

Sabe, quando a gente nasce com alguma fortuna, deixa de se surpreender com ela, e não lhe dá tanto valor. Não conhecemos a sua carência, uma vez que sempre a tivemos. Então, corremos o risco de sermos insensíveis em relação à própria riqueza.

Quando a riqueza é uma verdade muito profunda, um conhecimento herdado como eu herdei, pode-se cair na tentação de dizer sempre: “Eu já sei disso”.

SENTIMENTO DE ONIPOTÊNCIA
O que estou falando é de uma coisa chamada “sentimento de onipotência”, muito comum em quem é rico de algo. Pessoas que nunca cometeram o que pode ser considerado um grande erro, às vezes são dominadas por este sentimento. Elas se acham melhores que o resto do mundo e ficam muito aborrecidas quando algo mexe com seu conforto, seja uma pessoa ou uma situação. Então,  o desafio de quem recebeu cedo como eu o conhecimento espírita, é não se deixar dominar por esse sentimento.

Portanto, quando você se perguntar por que não conheceu o Espiritismo antes, pense que talvez, antes, você não o tivesse compreendido ou percebido o valor dele! Acredite: você não precisava passar por esta prova.

O CONSOLADOR PROMETIDO POR JESUS
Sabemos que quando Jesus esteve no mundo, como um de nós, prometeu que enviaria um "Consolador", que chamou "O Espírito de Verdade". Disse que ele viria esclarecer todas as coisas e fazer lembrar as esquecidas. (João, 14: 15-17, 26)

Acreditamos que o Espiritismo se encaixa no que se espera desta promessa, uma vez que, como vemos em O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 6, item 11, esta doutrina:
1.    Nos oferece o conhecimento de todas as coisas: de onde viemos, porque estamos aqui e para onde vamos (esclarece a respeito do POR QUE DA VIDA?);

2. Nos faz lembrar os verdadeiros princípios da Lei de Deus (esclarece a respeito de COMO VIVER BEM);

3. Nos consola pela fé e a esperança (esclarece a respeito de PARA QUÊ VIVEMOS).

CIÊNCIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO: UMA NOVA VISÃO DE MUNDO

A Doutrina Espírita preenche os quesitos do "Consolador", porque, abordando os itens mencionados, oferece  uma VISÃO DE MUNDO esclarecedora e consoladora, onde se tem o conhecimento do por quê, do como e do para quê da vida.  Esta visão de mundo constitui o papel do Espiritismo. Para mim, o Espiritismo é uma forma de ser e de olhar a vida.

Quando Allan Kardec codificou a Doutrina dos Espíritos, deixou claro que não era uma religião, mas uma doutrina de consequências religiosas, uma vez que aproxima o homem de Deus. Uma doutrina é um conhecimento. No caso do Espiritismo, um conhecimento filosófico, porque aborda questões existenciais como “de onde vim”, “para onde vou”, “o que estou fazendo aqui”. E esse conhecimento filosófico se dá no bojo de uma postura científica, que é uma postura de pesquisa e abertura a ampliação e a modificação. O Espiritismo não possui dogmas ou verdades inquestionáveis, embora existam espíritas que acreditem que sim e não admitam que se ponha dúvida sobre qualquer questão de O Livro dos Espíritos. 

Chamam logo o ousado questionador de “obsedado”.

Caroline Secundino Treigher é psicologa e espírita de berço e desde os 16 anos dá palestras da doutrina. Hoje atua como trabalhadora no Grupo Espírita Paulo e Estêvão, em Fortaleza, no Ceará. 

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