quinta-feira, dezembro 13, 2018

Espiritismo e a Homossexualidade - Caroline Secundino Treigher


Homossexualidade ainda é um tema pouco compreendido do ponto de vista moral: Será que ser gay é um defeito a ser corrigido? Ou uma virtude que a ser incentivada? O gay é muito ou pouco evoluído espiritualmente? Trata-se de uma provação para o Espírito? Ou uma obsessão espiritual? É uma tendência que pode ser revertida?

Muitas perguntas, poucas respostas.

Em O Livro dos Espíritos, como em nenhuma das obras fundamentais do Espiritismo, o  assunto entra em pauta. Apesar dos relacionamentos homossexuais remontarem à Antiguidade, eles não estavam em foco na época de Kardec. Na pergunta n.º 200 de O Livro dos Espíritos é indagado : “Os Espíritos têm sexo?

Resposta – Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos."

Muita gente interpreta sua resposta como uma afirmação de que os Espíritos não têm sexo. Porém, não é o que se lê. A resposta foi “não como o entendeis”, de onde se conclui que nós, os encarnados, definimos os sexos a partir da “constituição orgânica”, e os Espíritos, não.
Pensemos o sexo como sendo energia, que podemos chamar libido, que a própria psicologia define como a energia utilizada não apenas na realização do ato sexual, mas em toda ação criadora.
Esta energia sexual, segundo o Espírito André Luiz, na obra Evolução em Dois Mundos, está presente em todos os reinos da natureza.

- A heterossexualidade – atração pelo sexo biológico oposto
- A homossexualidade – atração pelo mesmo sexo biológico
- A bissexualidade – atração por ambos os sexos biológicos

HOMOSSEXUALIDADE: DEFINIÇÃO E HISTÓRIA

Em 1869 foi criado o termo homossexualidade por um psiquiatra húngaro chamado Karoly Benkert; nesta época a Alemanha prendia como criminosos os homens que praticavam sexo com outros homens, mas Benkert argumentou que não era caso de prisão, e sim tratamento, pois era uma doença mental. Com o termo nasceu o seu oposto, heterossexualidade. Durante quase um século o estudo da homossexualidade foi efetivado dentro dos hospitais psiquiátricos. Apenas com os estudos feitos com homossexuais estáveis e bem adaptados à sociedade é que se começou a pensar na possibilidade de não se tratar de uma doença;

Em 1973 a Associação Americana de Psiquiatria deixou de catalogar a homossexualidade como doença; em 1975, pela Associação de Psicologia Americana e em 1993 a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da lista das doenças mentais;

Em 1995, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina deixou de reconhecer a homossexualidade como doença mental, mas manteve a definição de distúrbio psicológico e passível de tratamento psicoterápico.  Em 1999 o Conselho Federal de Psicologia estabeleceu que a homossexualidade não pode ser vista como desordem psíquica e qualquer profissional que se proponha a curá-la estará ferindo o Código de Ética dos Profissionais de Saúde.

É CONTRÁRIA ÀS LEIS DE DEUS?

Bem, vamos refletir um pouco sobre esta pergunta. Uma explicação espírita para a homossexualidade está nos casos de inversão. O que é isso?

Dissemos que a sede do sexo está no espírito, não por uma determinação biológica. Biologicamente, os espíritos não têm sexo, mas psicologicamente possuem os dois. A questão 202 de O Livro dos Espíritos afirma que os espíritos tanto podem encarnar homens como mulheres, dependendo da experiência que devem passar, do aprendizado que precisam adquirir. André Luiz, no livro Ação e Reação diz que é natural que o espírito acentuadamente masculino venha a reencarnar muitas vezes como homem, e o acentuadamente feminino frequentemente como mulher. Entretanto, pode acontecer uma inversão.
Ora, se por muitas encarnações um espírito vivenciou sua sexualidade como homem, envolvendo-se com mulheres, é compreensível que, mesmo reencarnando como mulher, ainda sinta atração sexual por mulheres. Vejamos a frase de André Luiz:

“Inúmeros espíritos encarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediências a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam.”

Que duras disciplinas são estas às quais se refere André Luiz? Será que o homossexual deve abster-se de uma vida sexualmente ativa, como se a homossexualidade fosse uma prática contrária às leis de Deus?
Chegamos ao clímax de nossa reflexão! Prestemos atenção ao seguinte: ORIENTAÇÃO SEXUAL É DIFERENTE DE COMPORTAMENTO SEXUAL. Há na Bíblia uma frase fantástica, atribuída à Paulo de Tarso:

“Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”.

Caroline Secundino Treigher é psicologa e espírita de berço e desde os 16 anos dá palestras da doutrina. Hoje atua como trabalhadora no Grupo Espírita Paulo e Estêvão, em Fortaleza, no Ceará. 

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