sexta-feira, dezembro 28, 2018

O Movimento Espírita - Caroline Secundino Treigher



Nas obras da codificação doutrina Espírita, como na Revista Espírita, percebemos que o que se chama Espiritismo não se limita à escola francesa de Espiritismo, como geralmente pensamos. Além de Kardec, outros nomes também desenvolveram reflexões a partir das comunicações dos Espíritos, especialmente na Alemanha e na Itália. Encontramos estas informações no livro A História do Espiritismo, de Arthur Conan Doyle.

Chama-se Espiritismo, na verdade, a todo o movimento doutrinário decorrente do que se denominou “invasão organizada”, ou seja, uma série de comunicações mediúnicas que assolaram a Europa e as Américas, no início do século XIX.

Mas graças ao seu caráter científico, podemos afirmar que o Espiritismo não ficou pronto. O movimento espírita continua acontecendo. Não falo do movimento das casas espíritas, mas da ação dos Espíritos em favor da conscientização da humanidade. Este movimento invade as igrejas, causando reformas, invade a ciência, quebrando paradigmas, invade o mundo inteiro!

A Física Quântica, a Psicologia Transpessoal, a Parapsicologia, as Experiências de Quase Morte, as Terapias de Vidas Passadas, a Tanatologia, o Pensamento Sistêmico! Todos estes conhecimentos convergem na transformação do homem. É um movimento que não terminou com a codificação kardequiana. Esta foi apenas o começo de tudo.

E o que diz este começo? O que há nesta Doutrina Espírita que pode fazer tanto bem à nossa vida? De que se constitui esse tesouro?

 O TESOURO ESPÍRITA EM QUATRO SENTENÇAS
1. Concepção coerente de Deus: O Espiritismo nos faz crer em Deus sem desafiar a lógica. Primeiro, ele é concebido não como alguém, mas O Ser. É inexplicável não porque não temos o direito de explicá-lo, mas por não caber em definições. Deus é infinito. Como pode o ser finito compreender o infinito? Como você pode imaginar uma cor que nunca viu? Você pode fazer ideia de que exista, até concluir sua existência, mas não compreender o que está além da sua compreensão. Como é que vocês acham que os cientistas descobriram outras galáxias? Eles as viram? Não. Eles as deduziram por seus efeitos no Cosmos. Assim também deduzimos Deus. Como deduzimos o átomo e tantas coisas que não podemos ver, mas concluir racionalmente. Concluir a existência de Deus pode ser racional, acreditem! Olhemos o universo e, pelo axioma de que não existe efeito sem causa, sabemos que algo o originou. E sendo o efeito inteligente, concluímos que a Inteligência o criou.

2. Concepção multidimensional do homem: o homem é mais que o corpo. Há nele uma consciência, que não é um epifenômeno da matéria. Esta consciência transcende o corpo, sobrevive à sua morte. Chamamo-la alma. A alma, desprendida do corpo, é o Espírito. O Espírito possui um corpo etéreo, que chamamos períspirito. Este conhecimento só nos parece difícil de aceitar, porque vivemos numa sociedade extremamente materialista. Cultuamos o corpo como se fôssemos os nossos corpos. E tememos a morte porque ela destrói os nossos corpos! Mas não termina a vida. A vida continua. Os espíritos dos que morreram revelam isso. Basta estudarmos os casos de mediunidade, mas estudarmos sem preconceito, com a mente aberta. Aprendemos a rotular aquilo que não conseguimos explicar, como se isto encerrasse a questão. Espíritos se comunicam? "São alucinações", respondemos! E deixamos o assunto de lado. Mas não nos perguntamos por que estas alucinações às vezes provocam efeitos físicos, e por que as alucinações escrevem e assinam com a letra do morto, por que elas revelam eventos desconhecidos daquele que as vê e que depois se comprovam verídicos. Enfim, há muita má vontade. Por isso que Jesus dizia “veja quem tem olhos de ver, ouça quem tem ouvidos de ouvir.” Se você não quer acreditar em espíritos, nem que um se apresente aqui, neste momento, você vai acreditar. Mas se você tiver abertura, poderá realmente descobrir a verdade.

3.  Concepção lúcida de vida eterna: uma coisa maravilhosa que nos revela o Espiritismo é que a vida continua e não existe inferno. Aliás, inferno é uma metáfora de como ficamos quando nossa consciência, que é o cerne da vida espiritual, não está em paz. É uma "queimação", um incômodo que só pode ser desfeito com a modificação do que nos tirou a paz. Este o motivo da reencarnação. A gente renasce para aprender o que não foi aprendido. Não se trata de um castigo, mas de uma oportunidade. O sofrimento é uma oportunidade, uma vez que ele nos alerta de que existe algo em desarmonia, algo que precisa ser olhado e cuidado. Se a gente tivesse olhado de princípio, não haveria dor. Mas como negligenciamos este ou aquele aprendizado, a dor vem e nos convida a realiza-lo. É deste modo que Deus perdoa: oferecendo sempre novas chances de aprender! A reencarnação é simplesmente uma nova chance. Tem gente que critica a reencarnação como algo absurdo, mas não se dá ao trabalho de entender o que se compreende como reencarnação no Espiritismo. É mais uma vez a má vontade. Acho que todo mundo tem o direito de não querer conhecer um assunto que lhe incomode, mas ninguém tem o direito de opinar sem conhecer. Neste caso, a opinião é puro preconceito.

4.  Concepção positiva da vida: Tudo isso nos leva a ter uma visão positiva da vida. Primeiro, porque no Espiritismo partimos da convicção e que fomos feitos por Deus e, portanto, somos obras-primas. Não existe ninguém imperfeito, existe quem ainda não exprimiu seu potencial divino. Mas todos estamos evoluindo no sentido de manifestar a divindade que há em nós. Como diz uma música espírita: "Um dia todos nós seremos anjos!". Depois, a Doutrina Espírita, como bem verificou León Denis, nos retira o medo da morte. Não confundamos isso com desejo de morte. Não se trata de nos tornarmos adoradores da morte que dão os parabéns a alguém que acaba de perder um ente querido. De modo algum, nós sentimos vontade de viver neste mundo, porque ele é uma escola e queremos estar nele, porque aqui temos pessoas amadas, objetivos, sonhos... Só não nos revoltamos diante da finitude da vida material. Temos confiança de que há uma vida após a morte, e que nunca, jamais seremos abandonados num inferno sem remissão. Por último, passamos a nos ver realmente como irmãos, como seres iguais, compreendendo que ninguém é melhor que ninguém. Sabemos que o nosso pai de hoje pode ser o amigo de amanhã e o filho pode vir a ser a mãe, numa outra vida. Estamos todos ligados uns aos outros, como uma grande família!

Caroline Secundino Treigher é psicologa e espírita de berço e desde os 16 anos dá palestras da doutrina. Hoje atua como trabalhadora no Grupo Espírita Paulo e Estêvão, em Fortaleza, no Ceará. 

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