segunda-feira, dezembro 10, 2018

Pesquisa conclui que falta de concentração é a principal causa de acidentes no trânsito




Mais do que uso de álcool, falhas mecânicas ou problemas na estrada, o maior fator causador de acidentes é a falta de atenção do motorista. A constatação é de um estudo norte-americano realizada com mais de 3,5 mil motoristas publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas). Os pesquisadores instalaram câmeras, sensores e radares nos carros dos participantes e verificaram que os condutores passam mais da metade do tempo envolvidos com alguma atividade que pode afetar a concentração. De acordo com o estudo, 68% das 905 batidas registradas durante o estudo foram causadas por algum tipo de distração.

O estudo envolveu dados coletados ao longo de mais de 90 milhões de quilômetros percorridos. No artigo, os autores constataram que o celular, o rádio e o consumo de alimentos são alguns fatores que aumentam as chances de acidentes em 200%, na média. Os telefones e outros equipamentos eletrônicos são mesmo os grandes vilões. Fazer e receber ligações, ler ou digitar mensagens e utilizar telas sensíveis ao toque estão entre as atividades mais perigosas, ao lado da tentativa de alcançar algum objeto dentro do carro. Cada hábito, contudo, traz riscos diferentes. Enquanto falar ao celular aumenta a chance de colisão em 2,2 vezes, digitar um número no aparelho aumenta esse perigo em mais de 12 vezes. Até mesmo manusear o painel do carro pode ser motivo para distração: mexer no ar-condicionado aumenta as chances de acidentes em 2,3 vezes, e sintonizar o rádio quase dobra as probabilidades de batida.



Segundo os responsáveis pelo trabalho, episódios de distração parecem passar desapercebidos por policiais que atuam no trânsito, uma vez que muitas dessas ocorrências acabam registradas como direção perigosa. “Seguir o outro carro perto demais, por exemplo, tem uma notável baixa prevalência nesse estudo. Mas esse é um fator que aparece frequentemente em relatórios policiais de investigações”, compara Tom Dingus, diretor do Instituto de Tecnologia em Transporte de Virgínia e principal autor do estudo. Apenas 0,7% dos motoristas analisados nesse estudo cometiam o erro de não manter distância segura do carro da frente, e outros erros como violação de sinalizações, falha em checar o ponto cego ou ultrapassagens imprudentes também eram raros. “Pode-se suspeitar que distrações tenham sido subnotificadas em relatórios policiais e investigações”, acredita o pesquisador.



A tentação mais comum constatada pelos pesquisadores é a simples conversa com outro passageiro, uma atividade que manteve os motoristas distraídos em quase 15% das situações analisadas. Embora seja comum bater um papo com alguém durante uma viagem de carro, o levantamento revelou que conversar na direção pode aumentar as chances de acidente em 1,4 vez. Já a presença de uma criança no veículo pode ter o que os pesquisadores chamam de “efeito protetor”: o risco de acidentes cai pela metade quando um pequeno está presente. “Isso pode ser porque os pais geralmente dirigem com mais cuidado quando o filho está no carro”, acredita Dingus.



Fonte: Revista Proceedings of the National Academy of Sciences

 
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