terça-feira, dezembro 04, 2018

Veja o que significa o gesto de prestar continência e quando deve ser feito


O futuro presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), causou polêmica e virou meme nas redes sociais na última semana após prestar continência em dois momentos para civis: primeiro, no Rio de Janeiro, na quarta-feira, durante visita do Conselheiro de Segurança Nacional dos estados Unidos, John Bolton, assessor do presidente norte-americano, Donald Trump, e, depois, no domingo, ao repetir o gesto ao jogador Felipe Melo, do Palmeiras, após a vitória do time sobre a equipe do Vitória, em São Paulo.

A partida fez parte da última rodada do Campeonato Brasileiro. Bolsonaro é palmeirense.

Nas Forças Armadas, prestar continência é uma saudação, representando um sinal de respeito a pessoas ou a símbolos nacionais, como a bandeira, e também a diversas autoridades, como presidente e vice-presidente da República, presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF), além de ministros de estado e representantes de governos estrangeiros.

Ela deve ser feita em pé, com a movimentação da mão direita em direção à cabeça, com a palma da mão virada para baixo. O cumprimento também é usado pelas polícias e bombeiros militares.

decreto 2.243, de junho de 1997, assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, explica que, pela continência, “o militar manifesta respeito e apreço aos seus superiores, pares e subordinados”. Segundo militares e especialistas ouvidos pelo G1, não significa submissão.

Pelo regulamento, “a continência parte sempre do militar de menor precedência hierárquica” e, quando “ocorrer dúvida sobre qual seja o de menor precedência, deve ser executada simultaneamente”. “Todo militar deve, obrigatoriamente, retribuir a continência que lhe é prestada”.

 “A continência é um sinal de respeito tipicamente militar, um cumprimento. O cumprimento de aperto de mão começou para mostrar a mão desarmada; a continência é um ponto diferente, mostra respeito a quem admiramos, respeitamos. Bolsonaro nada mais está fazendo do que seguindo suas raízes militares”, diz o coronel da reserva do Exército e consultor em assuntos de segurança e militar Fernando Montenegro.

Para o oficial, que serviu na tropa de elite do Exército, o ato está longe de ser submissão. “Quando você abaixaria diante de um monarca, por exemplo, aí sim um gesto de submissão. A continência, para o militar, está muito longe de ser um sinal de subserviência. É um respeito que temos entre nós, além de realizarmos às vezes em relação a pessoa que a gente tem uma certa admiração e respeito pelo tipo de atividade que desenvolve”, disse ele.

“Cumprimentar um civil assim também é perfeitamente cabível. Eu mesmo já fiz isso, quando você tem muito apreço por alguém, você pode fazer”, afirmou o coronel. Oficiais da ativa das Forças Armadas de várias patentes também confirmaram à reportagem que já usaram a continência para civis como sinal de deferência e admiração pelo trabalho ou forma de atuação.


Como o presidente da República é o chefe das Forças Armadas, em alguns países, ele também costuma prestar continência a militares. O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, seguidamente prestava continência a soldados que lhe esperavam ao desembarcar do porta-aviões ou em bases militares.

Fonte: G1 SP

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