sábado, fevereiro 16, 2019

Línguas indígenas correm risco de desaparecer



Estima-se que quando da chegada dos europeus ao Brasil havia 1.175 línguas indígenas. Desde então, 85% das línguas originárias desapareceram. Levantamentos recentes dão conta de cerca de 180 línguas na atualidade. “Com o processo da globalização e perda dos territórios indígenas, é possível que nos próximos 20 anos mais de 40 delas desapareçam”, afirma o linguista e professor do IEL-Unicamp Angel Corbera Mori. As mais de 300 etnias indígenas no Brasil somam, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2010, 896.917 pessoas. Dessas, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país. Como os dados são de seis anos atrás, possivelmente esse quadro atualmente é muito diferente.

Segundo o Atlas interativo mantido pela Unesco (2010), todas as línguas indígenas faladas no Brasil encontram-se em situação vulnerável, mas várias delas se situam em diferentes graus de ameaça de extinção, dependendo do processo sócio-histórico de cada povo, explica Mori. O primeiro grau é o chamado das línguas “moribundas”, aquelas em que as crianças já não as têm como língua materna. “Calcula-se que, pelo menos, 17 línguas indígenas brasileiras estão nessa categoria. São as faladas pelos povos desano, tupari, javaé, wari, nadëb, haukwá”, exemplifica o pesquisador.

Em um grau abaixo, vêm as línguas “seriamente ameaçadas”, aquelas faladas apenas pelas gerações mais velhas. “Os mais jovens as entendem, mas não conseguem se comunicar, sendo incapazes de transmitir o idioma para seus filhos. Dezenove línguas indígenas podem ser consideradas nessa situação, tais como barasana, djeoromitxi, paumari, xerente, terena e tapaiúna”, continua.

Por último, estão aquelas em situação crítica de extinção, faladas apenas pelos mais velhos. Neste terceiro grau estão pelo menos 45 línguas indígenas, dos povos trumai, poianaua, tariana, quiniquinaua e xoclengue.

Entre os países sul-americanos, o Brasil é o que tem a maior diversidade linguística e cultural, seguido pela Colômbia, Peru e a Bolívia. Falar em números exatos é algo muito complicado. O IEL considera 181 línguas indígenas nos dias de hoje. Já para os linguistas ligados ao Museu Emílo Goeldi, no Pará, o número não ultrapassaria 150 no país.

Fonte: Estado de Minas

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