sábado, março 09, 2019

O que você tem na cabeça? - Claudinet Coltri Jr.


Essa é uma pergunta que fazemos corriqueiramente quando alguém não enxerga ou não age dentro da nossa lógica. Segundo Mário Sérgio Cortella, um jovem jornalista entrevistou Jacques Cousteau sobre as chances de sairmos ilesos ao enfrentarmos um tubarão. O cientista respondeu que são nulas. O jovem, não satisfeito, fez várias perguntas em sequência: o tubarão atacaria se já estivesse alimentado, se fosse de noite, se fôssemos muitos, se entregássemos alguma isca?, dentre outras. Nulas, sempre a resposta. O jornalista, então, disse: mas isso não tem lógica!. Cousteau, com sua paciência peculiar, respondeu: tem sim, mas é a lógica do tubarão.

Assim são as pessoas: cada um com sua lógica. A grande questão é: de onde ela vem? Por ser lógica, remetemo-nos à cabeça, ao cérebro. E é claro, tudo está lá. O que ocorre é que o cérebro não é só pensamento. Por isso, ele não é lógico dentro da lógica que conhecemos. A estrutura de pensamento vem do córtex cerebral, uma estrutura mais externa. Porém, temos mais duas estruturas básicas que o compõem (que fica mais embaixo, mais internamente): o chamado cérebro límbico, responsável pelas emoções, e o cérebro reptiliano, responsável por nossas ações instintivas.

Assim, em ordem cérebro-estrutural, mas não real e efetiva, pensamos, sentimos e agimos. Ligamos o pensamento ao cérebro, o sentimento ao coração e ação ao sistêmica digestivo (por isso nos dá um frio na barriga quando temos que fazer algo que não queremos) e membros. Porém, tudo está ligado ao que somos: circuitos neurais. Esses circuitos são estimulados pelos nossos órgãos sensoriais (já se falou em 5 sentidos; chegamos a 12; e já há quem fale em números bem maiores) por onde, segundo a neurocientista Jill B. Taylor, entram em nosso corpo. Se integram e se organizam, passando pela medula espinhal. O objetivo é atingir o nosso córtex cerebral (mais externo). Porém, quem o recebe primeiro é o sistema límbico, a parte mais interna do cérebro. É ele quem alimenta o córtex. Por isso, embora muitos pensem que somos seres pensantes que sentem, na verdade, biologicamente, somos seres sensitivos que pensam.

Portanto, no fundo, nossas emoções alimentam o nosso pensamento, em essência (embora seja possível fazer o inverso; mas isso é assunto para outro artigo). Então, quando te der vontade de perguntar a alguém o que ela tem na cabeça, na verdade, a pergunta certa é: o que você tem no coração?. Pense nisso, se quiser, é claro!
  
Claudinet Coltri Junior é professor, palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos. Website: www.coltri.com.br - E-mail: coltri@coltri.com.br facebook.com/coltrijunior.

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