domingo, março 24, 2019

Você está na zona de conforto no seu trabalho? - Manuela Vidal


Vou te fazer três perguntas:
- Quando você chega no trabalho, você se incomoda quando os seus colegas, logo cedo, te bombardeiam de perguntas, de ligações urgentes, de comunicados em cima da sua mesa?
- Você repete atividades exatamente como te passaram para você fazer?
- Você bate ponto todos os dias no mesmo horário para ir embora?
Se você respondeu SIM para pelo menos uma das perguntas, o diagnóstico pode ser um só: você está na zona de conforto. E eu vou explicar o porquê.
Quando chegamos no trabalho e recebemos uma carga de atividades urgentes e nos incomodamos com isso, é sinal de que estamos acostumados com uma rotina já estabelecida de atividades que, se não forem priorizadas, nos deixam irritados ou, pensando no extremo, nos desmotivam. É importante ressaltar que não há nada de “errado” com rotinas, o problema é quando nos incomodamos de verdade quando não conseguimos priorizar atividades que nos sentimos confortáveis em realizar. Nem sempre estas atividades são as mais importantes para a empresa, ou ainda (e principalmente), para o nosso desenvolvimento. Fazer o cérebro aceitar a realização de outras atividades além da nossa rotina faz com que exercitemos outras partes da nossa mente e nos mantém mais ativos. Isto contribui efetivamente para o nosso desenvolvimento profissional.
E quem nunca repetiu atividades exatamente como solicitaram que fossem feitas? Ué, se é comum, por que então é zona de conforto fazê-las desta maneira? Simples: quando repetimos a atividade da mesma forma que nos foi passada, significa que não questionamos o porquê dela ser feita dessa maneira. Se não for uma tarefa específica, como por exemplo um procedimento médico ou uma conta matemática, é sempre possível enxergarmos melhorias em processos já criados. Na minha vida de consultora de processos gerenciais, vira e mexe repasso os processos que eu mesma criei. Incrível como podemos melhorar o nosso próprio trabalho! Imagina o trabalho dos outros? O ideal aqui é sempre questionar, pelo menos, por que fazer determinada atividade, quem a demandou e para quem iremos entregar o resultado. Estas três perguntinhas simples fazem com que possamos enxergar o início, o meio e o fim do processo, e eventualmente os gargalos que nós mesmos podemos suplantar.
Sobre bater ponto todos os dias no mesmo horário, que mal há nisso? Se a sua empresa não tiver rigor com horas extras ou troca obrigatória de turno, bater ponto no mesmo horário significa que você esperou ardentemente por aquele momento. E eu sei que você concorda comigo! Não estou dizendo que você deve ir além do horário estipulado apenas para mostrar que não está acomodado. O que eu quero dizer com o comodismo do “bater ponto” é que podemos estar entrando em um ciclo de rotinas (ou já estamos dentro) de atividades que não nos desafiam, que procrastinamos ao invés de abraça-las com unhas e dentes, que não brilham os nossos olhos, que não acendem aquela chama da vontade de só ir embora quando estiver tudo resolvido. Precisamos refletir se é este o verdadeiro motivo de sonharmos com a hora de voltar para casa.
Espero, com este texto, que eu tenha inspirado reflexões as quais necessitamos realizar em diversos momentos da nossa carreira. Desejo bom aproveitamento das lições e boa sorte!
Manuela Vidal é administradora especializada em Gestão de Pessoas e consultora em Gestão Empresarial

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