segunda-feira, maio 13, 2019

Transtorno obsessivo-compulsivo - Eduardo Reis


O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma doença mental na qual a pessoa acometida apresenta diversos sintomas como pensamentos intrusivos, rituais, preocupações e compulsões. O problema afeta de 2 a 3% da população em geral, sendo a quarta causa mais comum de doença mental, atrás de fobia, de transtornos relacionados a substâncias e do transtorno depressivo maior.
Entre adultos, homens e mulheres são igualmente afetados, mas, entre adolescentes, os meninos costumam ser mais afetados do que as garotas. Dois terços das pessoas com TOC apresentam os sintomas antes dos 25 anos, e menos de 15% após os 35 anos.
A principal característica do distúrbio são as crises recorrentes de obsessões e compulsões que acabam causando sofrimento grave à pessoa. Isso acontece porque elas consomem tempo e interferem significativamente em sua rotina normal, no funcionamento ocupacional, em atividades sociais ou nos relacionamentos. Assim, um indivíduo com TOC pode ter uma obsessão, uma compulsão ou ambos.
O que são as obsessões?
Obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes, percebidos pelo paciente como intrusivos e indesejáveis que invadem a consciência contra a vontade da pessoa. Elas causam acentuada ansiedade, medo ou desconforto, interferem nas atividades diárias, nas relações interpessoais ou ocupam boa parte do tempo do indivíduo. As obsessões também podem ser cenas, palavras, frases, números, músicas que o indivíduo não consegue afastar ou suprimir.
No TOC as obsessões são ativadas por situações triviais como chegar ou sair de casa, usar um banheiro público, tocar em objetos como torneiras, maçanetas, dinheiro (medo de contaminação) ou passar perto de uma lixeira. Tais situações são avaliadas como representando uma ameaça ou possibilidade de que ocorra alguma falha ou desastre (contaminar-se, a casa inundar ou incendiar). Provocam ansiedade, medo e induzem o indivíduo a fazer algo (os rituais) com o objetivo afastar a "ameaça" ou reduzir o risco, ou ainda evitando o contato como forma de eliminar o medo ou o desconforto
O que são as compulsões?
Compulsões ou rituais compulsivos são comportamentos repetitivos ou atos mentais que a pessoa se sente compelida a executar para diminuir ou eliminar a ansiedade ou o desconforto associado às obsessões ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente. São atos voluntários realizados em resposta às obsessões, com a intenção de afastar ameaças (contaminação, a casa incendiar), prevenir possíveis falhas ou simplesmente aliviar um desconforto físico. São comportamentos claramente excessivos aos quais o indivíduo não consegue na maioria das vezes resistir.
Exemplos de compulsões: lavar as mãos repetidas vezes para proteger-se de germes ou contaminação; verificar repetidamente a porta, as janelas, gás, fogão para eliminar dúvidas e ter certeza; alinhar os objetos para que fiquem simétricos ou na posição exata; acumular ou armazenar objetos sem utilidade e não conseguir descartá-los; repetições diversas: tocar, olhar fixamente, bater de leve, raspar, estalar os dedos ou as articulações, sentar e levantar, entrar e sair de uma peça, que nem sempre são precedidos por uma obsessão.
As compulsões também podem ser atos mentais como: contar, rezar, repetir palavras, frases em silêncio, repassar argumentos mentalmente, substituir imagens ou pensamentos "ruins" por imagens ou pensamentos "bons". Da mesma forma que as compulsões motoras observáveis, as compulsões mentais são executadas com a finalidade de afastar uma ameaça e eliminar a ansiedade, o medo ou o desconforto.
Quem quiser ver de modo caricato, porém fidedigno, comportamentos comuns aos acometidos por TOC, sugiro assistir ao filme espanhol Toc Toc. Adaptação da peça francesa de Laurent Baffie, o longa fala de pessoas com transtornos obsessivos compulsivos, e por isso, sempre vejo com meus alunos durante as minhas aulas sobre o tema. Lançado em 2017, atualmente, o filme está disponível no catálogo da Netflix. Apesar de meio estereotipado, quem assistir terá uma ideia da variabilidade dos sintomas e características que a doença pode adotar.
Quais os tratamentos disponíveis para o TOC?
O tratamento de TOC pode ser medicamentoso (normalmente à base de inibidores seletivos de receptação de serotonina) e não medicamentoso.
A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem não medicamentosa com comprovada eficácia sobre a doença. Seu princípio básico é expor a pessoa à situação que gera ansiedade, começando pelos sintomas mais brandos.
Os resultados costumam ser melhores quando se associam os dois tipos de abordagem terapêutica. A resposta ao tratamento é muito boa na maior parte dos meus pacientes.
Carlos Eduardo Reis de Sousa é médico e cirurgião-dentista, com pós-graduação em educação, psiquiatria e medicina do trabalho e mestrado na área de saúde coletiva. É docente de cursos de graduação e pós-graduação na área médica, escritor e palestrante.

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